O jogo do Poder: ecos da moralidade – Beatriz Ferrarez

O jogo do Poder: ecos da moralidade – Beatriz Ferrarez

Não estamos interessados no bem dos outros; só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, só o poder pelo poder, poder puro”.

(George Orwell – 1984).

1.

Não é possível que a realidade funcione se não houver a mais pura das imaginações. Desde a construção de hipóteses, teorias, métodos são todos frutos da nossa imaginação, porque ainda não foram de modo exato, inseridos na sociedade. Ou seja, projetamos uma figura que às vezes é muito bem alimentada, outras nem tanto.

Napoleão Bonaparte desvendou que é “a imaginação que Governa o mundo”, pois pronunciou essa frase quando seu nome estava na boca de vários de seus fiéis, os quais nunca o tinham visto, mas Bonaparte sabia que o seu espírito, a sua presença permanecia entre eles, isto é, os faziam bravejar seu nome aos quatro cantos do mundo sem, ao menos, o conhecer.

É como uma espécie de ‘patriotismo primitivo’, como bem destaca George Orwell em seu romance 1984: “uma nação de guerreiros e fanáticos avançando em perfeita sincronia, todos pensando os mesmos pensamentos e bradando os mesmos slogans, perpetuamente trabalhando, lutando, triunfando…”. O que um grupo de pessoas semelhantes não pode fazer quando se fecha em uma própria bolha, enquanto há um líder que o manipula para que seus gostos e ideais sejam postos em prática?

William Golding tenta explicar em seu livro O Senhor das Moscas a volta da civilização ao estado primitivo que, a priori, é virulento, sombrio, sangrento, uma guerra de todos contra todos. Contudo, Golding traz como personagens meninos menores de 12 anos, quer dizer, já pretendendo mostrar um lado obscuro do qual não imaginamos que uma criança possa ter – talvez, nem um adulto.

Vale destacar o momento histórico vivenciado no tempo do livro, pós-Segunda Guerra Mundial em que o mundo estava polarizado pela Guerra Fria, num contexto de dualismo – o socialismo e o capitalismo – o que, no livro, será representado por dois regimes ideológicos distintos: a democracia e o totalitarismo.

Depois da queda do avião em que cerca de 20 meninos se encontravam juntos de seu mentor e o piloto da aeronave, os dois últimos morrem na ilha cujas crianças os levaram. A partir dessas perdas é o exato momento do qual há a extinção do Estado, de um limite de regras e a volta ao estado primitivo mesmo sendo civilizado.

No decorrer da história percebe-se o quanto as crianças tentam se tornar seus pais, afinal, quem toma as decisões? Os adultos. Porém, na análise do doutor em Letras, Dino Del Pino, há um processo de ironia envolvido na trama que é o fato das crianças demostrarem que, na realidade, são os adultos que agem como crianças, porque, quando, por exemplo, deveriam acender a fogueira, vão brincar. Del Pino nomeia essa ação como fruto do “microcosmo da ilha”, isto é, a redução dos atos em maniqueísmo – bem e mal. Transcrevendo para o mundo político, é quando um modelo ideológico se reduz a ser somente oposição e o outro em situação, excluindo toda a complexidade da realidade.

Por isso, nasce a dicotomia entre a civilização e barbárie. No fundo, a figura dos dois meninos (Ralph e Jack), que tentam impor o seu modo de sobreviver aos demais acaba em assassinato entre eles. Jack com seu pensamento totalitário cria junto de seus amigos a figura mítica do Rei das Moscas, um mostro imaginário, do qual o líder das ‘caras pintadas’ alimenta a sua existência mesmo depois de descobrirem que o Rei nunca existiu. Um perfeito ato político. Alimentar a figura do inimigo – do medo – por mais que este não seja real. Os seus seguidores sabendo da farsa continuam a carregar a presença do mítico. Napoleão estava certo.

O ponto chave exposto nesse livro é a crescente violência contra aquele que se opõe a sua visão de mundo, conjuntamente da própria perpetuação no poder. O autor, ademais, se destoa do pensamento do homem primitivo desenvolvido por Jean-Jacques Rousseau, o pai do Bem Geral – do coletivismo, da tirania da maioria. O qual entende que o homem em seu estado primitivo é bondoso, cheio de virtudes, dotado de cordialidade. Contudo, quando firma o contrato social, ou seja, faz a transição do estado de natureza para o “estado dos contratos”, o homem acaba corrompido pelo meio em que se situa.

Aqui, é possível considerar um problema contemporâneo herdado de Rousseau: o da transferência de responsabilidades. Tudo de errado está no outro e não em mim. Portanto, desenrolando as justificativas mirabolantes das revoluções sangrentas, como principal exemplo, a Revolução Francesa, encabeçada por base de seu ideal, influenciador da Vontade Geral que deve prevalecer sobre as demais. Edmund Burke nomeia essa teoria de Jean-Jacques de falsa imaginação moral, isto é, uma imaginação idílica, àquela em que o ser humano é dominado pela sedução, a perversão do poder de controle.

A imaginação moral é a natureza humana existente em todos nós, as nossas primeiras experiências, transpassada dos avós aos pais, dos pais aos filhos, um sistema de boas maneiras, uma aspiração à “apreensão da ordem correta na alma e a ordem correta na comunidade”. Esta se choca com a imaginação idílica de Rousseau que, na verdade, destrói essa moral e reconfigura o significado da imaginação humana. Passando a dignificar a elevação da “emancipação do dever e da convenção”. Como dito anteriormente, utilizando como artifício de justificativa plausível para atos revolucionários de completa destruição do outro.

Em um pequeno ensaio de Russell Kirk – A imaginação moral – ele esclarece os três principais tipos de imaginação: a moral de Burke, a idílica de Rousseau e a diabólica de T.S. Eliot. Explica que:

Todas as principais formas de arte literária tomaram por seus temas mais profundos as normas da natureza humana. O que Eliot chama de “as coisas permanentes” – as normas, os padrões – têm sido a preocupação do poeta desde o tempo de Jó, ou mesmo desde Homero: “o cego que vê” que cantou as guerras dos deuses com os homens. Até muito recentemente, os homens tinham como certo que a literatura existe para formar a consciência normativa – isto é, ensinar os seres humanos sua verdadeira natureza, sua dignidade e seu lugar no esquema das coisas. Tal era o esforço de Sófocles e Aristófanes, de Tucídides e Tácito, de Platão e Cícero, de Hesíodo e Virgílio, de Dante e Shakespeare, de Dryden e Pope.

Contudo, o cenário que Kirk nos apresenta da literatura como formação da consciência normativa já não é mais real e, também, nem poderia estar em voga, uma vez que houve a quebra desse raciocínio partindo da denominação que Eliot intitula como diabólica – dada em suas palestras “After Strange Gods” (1934) – essa imaginação nada mais é do que um encontro com o subumano, numa sedução do perverso. Nas palavras de T.S. são as “operações frutíferas do espírito maligno”. Russell explicita:

Em certa noite, hospedei-me em um novo hotel da moda; meu quarto de solteiro custa cerca de oitenta dólares. Eu poderia ajustar o aparelho de televisão do quarto a certos filmes, por extra de cinco dólares. Depois de dez horas, todos os filmes oferecidos eram extremamente pornográficos. Mas até mesmo os filmes “da tarde”, antes das dez, sem exceção, eram produtos da imaginação diabólica, na medida em que serviam à ânsia de violência, destruição, crueldade e desordem sensacional. Aparentemente, nunca ocorreu aos gerentes deste hotel da moda que qualquer de seus afluentes patronos, de qualquer idade e sexo, desejassem filmes decentes. Como Eliot falou na Universidade de Virgínia em 1933, chegamos muito longe na estrada para Avernus. E, à medida que a literatura se afunda no perverso, a civilização moderna cai para a ruína: “A maré ofuscada pelo sangue se solta, e em todos os lugares / A cerimônia da inocência se afoga”.

Evidentemente, a conclusão que se pode tirar da experiência exposta por Russel – mas que todos nós, em tempos modernos, já passamos –, indica, sobretudo, a ideia do rompimento com a imaginação moral extraída do pensamento de Burke, pois é esse quem mostra a nossa real natureza. Mais destoante da realidade é a falsa imaginação moral – a imoralidade – erguida por Rousseau, o qual está presente em pessoas que nunca o leram, todavia, é isto: o espirito da sociedade carregado por esse amálgama de sensações “novas”.

O problema da doutrina de Rousseau foi a completa desconstrução da ordem estabelecida em nome da Vontade Geral, da qual no fim – ou ainda, nos dias atuais – produz resquícios posteriores a inauguração da Revolução Francesa. Em relação à figura emblemática do “Sócrates louco na Assembleia Nacional” – Jean-Jacques. Novamente, Kirk é incisivo: “até mesmo um esforço ineficaz para ensinar normas é melhor do que ignorar ou negar todos os padrões. Um zelo equivocado pelo treinamento vocacional utilitário no lugar da instrução normativa; uma ênfase nas ciências físicas e biológicas que empurrariam a literatura para um canto empoeirado do currículo […]”.

Nessa seara, há a desenvoltura de uma nova espécie imaginária, só que agora situada na contemporaneidade, cuja Russell Kirk não pôde nominá-la, mas, de algum modo, colaborou para a composição de seu entendimento: a imaginação totalitária.

Esse conceito edificado pelo filósofo dos tempos atuais, Francisco Razzo, tem como objetivo, inicialmente, demonstrar o quanto a sociedade contemporânea brasileira – principalmente, em seu livro A Imaginação Totalitária: os perigos da política como esperança – está propícia ao fenômeno político que se “expressa numa violência redutora”, como exemplo destacado pelo autor, alguns movimentos nas passeatas de 2013: os Black Blocs, que depredaram diversos locais públicos/privados em nome de algo maior – do Bem Comum, como espécie de uma Vontade Geral.

A imaginação totalitária é advinda de um viés totalizante, já que não se cria apenas símbolos de resistências, por exemplo. A intenção é colocá-lo em prática, em atos puramente humanos. Ou seja, movimentos que visam um bem maior para a sociedade e por este motivo acham que têm o direito de desmantelar a ordem estabelecida. Além de serem ratificados por uma série de veículos de comunicação, como também, de autores Rousseaunianos.

Dessa forma, Razzo apresenta no conjunto de seu significado a troca da verdadeira religião por uma utopia, o que nos faz pensar nas adorações políticas, afinal, a utopia é uma nova religião, visto que, de acordo com as imaginações anteriores – especialmente a diabólica – o homem passou a desconsiderar o Ser Divino distinto do Ser Terreno, assim, criando expectativas significativas quanto ao futuro na imagem de um político.

É o que Irving Babbitt, crítico da filosofia de Rousseau, certifica como a grande preocupação da imaginação idílica o “moderno idealismo político”, pois “o agitador apela principalmente a ela quando instiga a multidão com as imagens da felicidade que deverá sobreviver depois da destruição da ordem social vigente”. Logo, inspira uma grande massa destinada por ódio buscar a mudança em sua totalidade, na forma descrita por Francisco Razzo:

Consiste em um tipo de radical de imaginação desordenada e desmedida tal como a imaginação idílica e a imaginação diabólica, pois incorpora ao mesmo tempo o delírio utópico e busca reduzir a natureza humana à sua forma maleável. Além do mais, trata-se, portanto, da irresistível necessidade de proclamar messianicamente um plano total de poder redentor, um projeto de que o mundo seria bem melhor se fosse totalmente adequado ao meu sistema de representação, não necessariamente criado por alguém, mas animado, motivado e enriquecido pelos poderes de usar mais nobre ambição.

Inspirados pela imaginação totalitária, acreditamos compreender a natureza humana em sua profundidade, acreditamos ser capazes de salvá-la, manipulá-la, melhorá-la, aperfeiçoá-la, transformá-la e protegê-la dos próprios perigos criados por ela com a força da crença na plenitude dos tempos determinada exclusivamente por um ato político salvífico. A imaginação com tendências totalizantes visa sempre à totalidade, não se contenta com nada que seja menos do que o total. Nesse sentido, traz para dentro de si a imaginação idílica e a imaginação diabólica na medida em que subverte a imaginação moral.

O alerta do perigo de transformar a política em última esperança para a salvação da sociedade nos fez entrar neste limbo de imaginações totalizantes, basta que nos lembremos da famosa Marcha das Vadias: feministas radicais saíram peladas às ruas para protestarem contra o ‘patriarcado’, cujo, em sua análise, impõe regras aos corpos das mulheres. Em ato rebelde, as mulheres presentes começam a pegar símbolos do cristianismo e reproduzir diversas obscenidades com eles.

Não que a luta por direitos das mulheres não seja válida, a questão posta em discussão é o fato da exclusão dos demais símbolos por meio do ódio. Kirk ensina que a “nossa pequena racionalidade privada baseia-se na sabedoria dos homens de eras mortas; e se nos esforçamos para guiar nossos egos por nossas limitadas percepções privadas, caímos no vale da irracionalidade”.

Portanto, é possível concluir que, definitivamente, a política não deve ser vista como a última esperança do homem em ser alguém melhor. Não é ela que traça – nem deveria traçar – as nossas vontades. A política nada mais é do que o meio pelo qual as coisas acontecem e, sobretudo, não é onde devemos encontrar conforto e salvação, longe disso. Política é poder.

2.

Partindo do pressuposto de que a verdade na política é a tragédia – quando duas ou mais ideias boas se chocam, mas não se unem – encontramos de pronto um dos problemas essenciais de uma democracia representativa, como o nosso caso, pois, a razão das ideias boas não se unirem é pelo simples fato de somente um político querer ser o detentor do poder soberano, leia-se: centralizado.

Ademais, Simone Weil já havia nos alertado acerca dessa centralização – “gulag das ideias” – tendo em vista sua declaração: “hoje sentimos sede e asco do totalitarismo – e quase todo mundo ama um totalitarismo e odeia o outro”. Implica dizer: os nossos políticos não estão interessados em construir uma sociedade melhor e distante de uma imaginação diabólica e idílica, pelo contrário, é mais fácil que nos prendam nesse círculo vicioso para que nos deixemos esmorecer.

Então, de imediato, suportamos qualquer insanidade nos tempos atuais, por quê? Goethe previu que o romantizar é a doença. O estado de sentimentalismo do qual nos encontramos é medonho, triste e tão ruim que tem sido difícil de ser rompido. Basta uma pequena observação entre as relações humanas – brasileiras – desde as eleições presidenciais de 2014 em que disputavam o segundo turno a candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, Aécio Neves. Naquele ano há uma leve sutileza, talvez percebida por alguns, mas não por todos, do que estaria por vir: a crescente onda das redes sociais influenciando votos e campanhas ao mesmo tempo em que estavam tentando denegrir um a imagem do outro.

No entanto, antes de aprofundarmos a questão da política brasileira em sentido estrito, é necessário compreender o que Nicolau Maquiavel nos deixou como ensinamento da política, ou melhor, da construção de um governante que pretende tornar-se príncipe – trabalhando na perpetuação de seu poder.

Dentre as classificações de conquista e condições de estabilidade no poder, Maquiavel as identifica no texto de O Príncipe – como veremos mais a frente. A priori, o conceito defendido por ele tem como base quatro formas, que são: 1) a virtù, de modo geral representada pela coragem. 2) a Fortuna, que nada mais é do que a sorte – influência das circunstâncias. 3) a violência, celerada. 4) por meio do consentimento dos cidadãos.

Expostos à prática, “os principados totalmente novos adquiridos com armas e virtude próprias são difíceis de conquistar e, no entanto, mais fáceis de manter. Já os menos estáveis são aqueles conquistados com armas e Fortuna dos outros e os que são fruto da violência extremada. No caso da conquista pela Fortuna a manutenção do poder pouco depende das qualidades do príncipe e, por isso, é instável; no caso da violência celerada o risco de rebelião é permanente, a menos que o tirano saiba usar bem a crueldade, aplicando-a com rapidez, e deixando-a extinguir-se com o tempo”. Nessa última colocação, importante ressaltar o termo ‘utilizar bem a crueldade’ cujo, também, é tratado pelo autor que revela que esta malevolência não pode ser perpétua, isto é, a violência que se prolonga é má, porque pode produzir um derramamento de sangue mais do que o necessário. Nas palavras de Raquel Kristch é preciso uma ‘economia de poder’.

A maior diferença proposta por Maquiavel – e ninguém antes dele – é acerca da visão do mundo e do homem. Em sua concepção, não há uma solução na espera do messias. Nicolau transfere ao ser humano o poder de controle da história, excluindo a ideia de redenção aos céus. Enquanto, a visão do mundo e do homem no lado ocidental do planeta é desenvolvida pela “mística semítica”, como bem pontua o Livro de Isaías (Is 65, 17-18):

Pois eu vou criar novos céus, e uma nova terra; o passado já não será lembrado, já não volverá ao espírito, mas será experimentada a alegria e a felicidade eterna daquilo que vou criar.

Se, no mundo cristão, a titularidade e autoridade é do Ser Divino (Deus), a nossa única redenção dar-se-á pela espera de sua divindade para salvar a humanidade do caos permanente – nossos pecados. Novamente, postos em xeque, lembremo-nos da vulgarização da imaginação: a simbiose desenvolvida entre o Ser Divino e o Ser Terreno está em voga. A busca pela salvação tem sido invocada e transpassada àquele que nada pode – mas acha que pode – fazer da terra o paraíso. Sendo impossível que isso aconteça, caímos no limbo.

O estado à margem da realidade é propício à criação de mitos já que, de algum modo, precisamos sair dele, então nada mais natural que o ser humano procure um meio de “dar a volta por cima”. Contudo, o significado de mito aqui averiguado é tratado pela essência do filósofo Max Müller, segundo ele, o que chamamos de mito está intrinsecamente mediado pela atividade da linguagem, o que, na realidade é “o resultado de uma deficiência linguística originária, de uma debilidade inerente à linguagem. Toda designação linguística é essencialmente ambígua e, nesta ambiguidade, nesta ‘paronímia’ das palavras, está a fonte primeva de todos os mitos”.

Assim, pode-se deduzir que a vida no limbo, fundamentada pelo mundo mítico, é excentricamente uma ilusão, mas que só se descobrirá uma quando desvendado, nas palavras de Müller, “o original e necessário autoengano do espírito do qual decorre o erro”. A facilidade de permanecermos neste estado é absurda, conseguimos ser traídos o tempo todo por linguagens mortas, todavia, que são compradas pela espera da salvação do mito exterior. Porque sim, estamos sempre em completa exteriorização das respostas, logo, valorizando a imaginação idílica, a falsa moral, por fim, a imoralidade presente no mundo.

Foi o que Eric Voegelin fortaleceu em seu pequeno ensaio – A democracia e o Indivíduo – “o problema da democracia é, portanto, manter os indivíduos em um estado de espírito democrático”. No decorrer do ensaio, Voegelin apresenta alguns dos perigos que põem a democracia em estado de alerta, bem como os motivos dos quais é difícil manter o espírito republicano, uma vez que submetidos à margem das informações, das discussões, da incapacidade de raciocinar, debater e formular opiniões livres, sem que precisem passar pelo crivo de um grupo qualquer ou, ainda, de um governante para que seja uma opinião digna de respeito. Além de, mais uma vez, a abstenção da responsabilidade do indivíduo – do cidadão – em estar a par com as questões políticas.

Inspira-se Eric Voegelin em escrever: “quando a grande massa do povo se esquiva dos seus deveres democráticos, será cada vez mais difícil ter uma classe dominante democrática e líderes democráticos, porque o reservatório do qual eles podem ser atraídos diminui, e os que restam perdem a ressonância com a ampla massa de indivíduos e pessoas não mais apelam a eles”. Mostrando-nos, desse modo, que estamos mais dispostos às condutas e normalizações de atos autoritários e, podendo estes penderem ao totalitarismo.

Por mais que bem retratado o papel ativo que o indivíduo deve ter nas decisões e opiniões políticas de uma sociedade. O filósofo alemão, no artigo ora mencionado, não trata a respeito do papel do governante, ou melhor, do compromisso que tem um homem público, já que este também é fruto de nossa atual tragédia política, na forma descrita por Martim Vasques da Cunha:

A política tinha uma unidade cifrada e multifacetada, intuída claramente por meio das nossas faculdades racionais, mesmo quando não se manifestava somente na ação política – mas também na recusa em participar do jogo público. Sólon, ao ver que a lei justa não seria compreendida adequadamente pelo povo de Atenas, decidiu se recolher; Churchill, quando percebeu que a sociedade inglesa não o desejava mais, volta a escrever seus livros e a pintar seus bucólicos quadros.

Contudo, hoje, cada decisão política, em qualquer parte do globo terrestre, só traz desolamento. Tornou-se uma espécie de autopunição a cada um de nós que tenta participar, direta ou indiretamente, do processo de construir – ou, em muitos casos, de reconstruir, como ora ocorre no Brasil, após a devastação decorrente da revolta das elites promovida pelo Partido dos Trabalhadores entre 2002 e 2015 – uma comunidade onde possamos ter alguma esperança, alimentar nossos desejos mais saudáveis, educar a imaginação moral, ficar em paz durante a nossa vigília. Em suma, sonhar – sempre com os pés no chão.

A maldição do ‘espírito do tempo’. Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos causos brasileiros – aqueles de ficar de queixo aberto. Entretanto, não fora o primeiro na história do país a utilizar-se da familiaridade da população com a figura messiânica. Voltemos nos tempos de Jânio Quadros, um dos grandes inauguradores do populismo à brasileira e, claro, desde lá se falava em anticorrupção. Tanto é que seu slogan era: varre, varre vassourinha.

Jânio fez de sua vida a política, uma vez que se elegeu vereador no ano de 1948; prefeito em 1953; e governador em 1954. Sua história é interessante de ser analisada, pois nos remete, de alguma forma, às figuras políticas construídas após a redemocratização – materializada pela Constituição vigente, em 1988.

Quadros, sem ter membro de família importante, na crescente onda do populismo deixado por, principalmente, Getúlio Vargas. Foi carismático, personalista, colado à ideia de antissistema – não pertencente à classe da elite política tradicional – conjuntamente de um discurso pautado no combate à corrupção e à imoralidade, elegeu-se presidente da República.

No entanto, a passagem de Jânio pelo mais alto cargo do executivo foi relâmpago, como descreve Bruno Garschagen: podendo ser resumido na paráfrase de Júlio César: “vim, blefei e perdi”. O blefe está seguramente vinculado a sua carta renúncia que, intencionalmente, fora escrita para que o Congresso Nacional não a aceitasse, logo que, o jogo político que Jânio tentava desenvolver era o de sustentação política. Mas, nem isso foi capaz. Sem rodeios, o Congresso aceitou a renúncia de Jânio, escrita em 25 de agosto de 1961:

Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo, que não manteria a própria paz pública. Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. A mim, não falta a coragem da renúncia. 

Saio com um agradecimento, e um apelo. O agradecimento, é aos companheiros que, comigo, lutaram e me sustentaram, dentro e fora do Governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.

O apelo, é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios para todos; de todos para cada um.

Somente, assim, seremos dignos deste País, e do Mundo.

Somente, assim, seremos dignos da nossa herança e da nossa predestinação cristã.

Retorno, agora, a meu trabalho de advogado e professor.

Trabalhemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.

Não me parece que o método político adotado há anos seja diferente do qual temos presenciado. Claro exemplo é o fato de sempre existir a ideia de um inimigo a ser combatido. Na carta renúncia, é possível observar as “forças terríveis”, das quais não se sabe, por isso considerado blefe. Este instrumento retórico de acusação a figuras imaginárias ou, ainda, de que tudo é feito para “derrubar o presidente”, é ultrapassado. Contudo, é puramente brasileiro, faz parte do nosso game político. Consequentemente, precisamos entendê-lo, porque esteve – e está – em nossas veias.

O Brasil é – em seu contexto histórico – um país naturalmente propenso ao autoritarismo. Nossos líderes ditos democráticos nada são, ao contrário, elegem-se nas pautas e bandeiras messiânicas, ou seja, sob o pretexto de estabelecer a ordem – salvação das mazelas. A despeito disso é compreensível o apoio de certa parte da população às personas que apresentam soluções fáceis através do véu do populismo. Quando, na verdade, já foram engolidas pelo poder. Na forma que descreve o autor da biografia do político mineiro Gustavo Capanema, Fábio Silvestre Cardoso: a tentativa de domesticar o poder é todo ato que qualquer político preze. Entretanto, há um sério problema ao fazê-lo, porque é impossível desvirtuá-lo, já que ao mesmo tempo em que se detém do poder nas mãos, há mais quinhentos tentando tomá-lo.

3.

Acompanhando nossa trajetória político-histórica, sem muito esforço, encontramos um ciclo: revolução (golpe), ascensão de um novo regime e sua drástica queda. Tomemos como o exemplo o golpe – ou, se preferir, Proclamação da República – no ano de 1889. A vida de nossa republiqueta já nasce de um golpe militar que não se sustentará, por isso, o encabeçado Marechal Deodoro da Fonseca tenta centralizar o poder – o que, como se sabe, não acabou bem.

Sendo possível imaginar, nesse diapasão, o surgimento da questão político-militar brasileira que, apesar de também ter sido constituída em grande parte da América do Sul, tem suas peculiaridades, pois o Brasil tornou-se um permanente estado de “inquietação política”, tendo em vista o destaque realizado pelo ilustre professor Paulo Napoleão Nogueira da Silva: tanto a instabilidade política quanto a interferência militar começaram, entre nós, não a partir da Independência “mas desde a Proclamação da República e a instauração do presidencialismo”.

Isto, porque, o sistema de governo presidencialista, na visão de Napoleão, fomenta e valida a construção de um país autoritário e de completa impunidade, uma vez que os poderes estão concentradíssimos na figura do Presidente da República que, exerce tanto a figura de chefe de Estado quanto a figura de chefe de Governo. Ora, será que aqui podemos dizer que floresce a imaginação diabólica de T.S. Eliot de um patrimonialismo? Dado que, obviamente, Estado e Governo são coisas extremamente distintas, portanto, não devendo ser exercidas por uma mesma persona.

Evidenciando o ciclo institucionalizado, há dois acontecimentos após a redemocratização que nos colocaram à beira de um novo golpe – junto das forças armadas. Vejamos: o primeiro caso foi com a ex-presidente Dilma Rousseff que chegou a sondar o exército para que decretassem estado de defesa, antes mesmo de ser sofrer o impeachment, em 2016. De acordo com o general Eduardo Villas Bôas alguns políticos de esquerda – não disse quais – entraram em contato com o exército para idealizar a decretação de um estado de exceção, mas, segundo ele, esta hipótese foi rechaçada. Num segundo momento – atualíssimo – o presidente Jair Bolsonaro, mais incisivo que Dilma, chegou a dizer “vou intervir, querendo enviar tropas ao Supremo Tribunal Federal, na forma exposta pela matéria exclusiva da Revista Piauí reportada pela jornalista Mônica Gugliano: “Bolsonaro queria mandar tropas para o Supremo porque os magistrados, na sua opinião, estavam passando dos limites em suas decisões e achincalhando sua autoridade. Na sua cabeça, ao chegar no STF, os militares destituiriam os atuais onze ministros. Os substitutos, militares ou civis, seriam então nomeados por ele e ficariam no cargo “até que aquilo esteja em ordem”, segundo as palavras do presidente”. [grifo meu].

Nesse sentido, é fácil detectar a índole heroica que acha que tem um presidente da República no Brasil. Mas é do heroísmo próprio que se fala e, não da prosperidade do país. Estamos enraizados na “Imaginação medíocre” denominada por Paulo Napoleão, àquela que vê apenas o controle sendo implantado à força, não à toa o problema que sofremos hoje é mesmo de sempre, bem como explica o ilustre professor em seu livro – Autoritarismo e Impunidade (1988):

A atual estrutura do Estado brasileiro, deformando toda a sociedade, acoberta uma forma de poder unipessoal e autoritário, com frequência arbitrário. Controles eficazes à sanha do Poder Executivo, quer preventivos, quer repressivos, são estranhos ao nosso presidencialismo […].

Por tal razão é que os nossos presidentes sempre acumularam uma soma real do poder idêntica à dos ditadores latino-americanos em geral, e sempre muito superior aos poderes de que dispunham os reis absolutos, quer na Idade Média, como no início da Idade Moderna.

Ou seja, nunca passamos da fase do estado absoluto, apenas temos ratificado ações de completa deturpação da ideia democrática que deveria existir – ao menos – neste país. Desse modo, produzimos a cada dia mais a cegueira diante das maiores falas aberrantes, ilógicas, históricas “com a ênfase de quem está revelando a pedra filosofal”. Isso não deve ser considerado política, pois ela é o poder de decidir sobre como será a vida em sociedade. Não pode ser mirabolante, na verdade, precisa ser menos burocrática.

Ressaltado anteriormente, o brasileiro é naturalmente inclinado ao autoritarismo. Logicamente, por estarmos vinculados a uma classe política “viciada, condicionada e acomodada no viver das tetas dos órgãos públicos, na impune malversação do dinheiro público e na sustentação dos seus esquemas eleitorais através do empreguismo e do uso da máquina administrativa do Estado”, em análise de Paulo Napoleão. Lembremo-nos da vida política de Jânio Quadros, não tão diferente de Jair Bolsonaro – fez de sua vida e dos filhos a política. Para quê, pergunta-se o leitor, para concentrar poder. Tanto é que o atual presidente – graças à maldição deixada por Fernando Henrique Cardoso – constrói a sua perpetuação no poder. Trabalhando para a sua reeleição. Napoleão Nogueira, mais uma vez, é assertivo:

Os nossos homens públicos parecem ainda viver segundo a certeza de que tudo é possível dizer, tudo é possível fazer crer, impingir ao povo, à nação em geral. Nem adianta que se lance mão, como consolo, daquele outro mito, segundo o qual o povo não se deixa enganar, percebe que é bom. Pouca diferença existe entre o discurso do político no mais recôndito do sertão nordestino, para ouvintes que nunca assinaram o nome, e o discurso político no Pantanal mato-grossense ou nas nebulosas zonas fronteiriças do nosso noroeste – com mais moderno e mais sofisticado cangaço, mas sempre cangaço – ou nos povoados encravados no ministério verde sem-fim do extremo norte, como na periferia de São Paulo e das grandes cidades em geral; em qualquer hipótese, o nosso político, com razoável dose de cinismo e de acerto, fará o seu discurso como se estivesse falando a crianças recém adentradas aos bancos escolares.

É poder puro. Esse tipo de discurso é chiclete na boca de político populista, exemplo crasso é a figura do ex-presidente Lula que se elegeu numa bandeira radicalista, juntamente de pautas estatizantes e intervencionistas. Contudo, em seu primeiro ano de governo, foi obrigado – para manter-se no poder – a praticar o que se chama de estelionato eleitoral. Do modo ensinado por Maquiavel, Luiz Inácio abaixou o tom para transpassar ser um político eficiente sobre a égide da conciliação. Por debaixo do véu “paz e amor”, o petista aparelhava não somente o seu Governo através da compra de parlamentares no Congresso Nacional, bem como o Estado brasileiro.

Ao mesmo passo que o atual presidente da República é, sem sombra de dúvidas, a persona mais abjeta que poderia exercer o mais alto cargo do poder executivo – adendo à figura da ex-presidenta –. O seu estelionato eleitoral consegue ser pior do que de Lula o qual tanto se criticou, visto que, no fim, apresenta-se naquilo que sempre condenou e rechaçou. Não articula, mas embarca na distribuição de cargos ao dito Centrão – a ala mais fisiológica não só do Congresso, como da política brasileira.

A traição que desenvolve o Mito não é de fato uma “traição”, tendo em vista que ele é exatamente isso. Bolsonaro é autoritário e importa-se com a manutenção de sua vida boa – mamando nas tetas do Estado, uma das coisas ‘boas’ que sabe fazer – transformando seus filhos na imagem e semelhança de sua vida pública. O que interessa é o filé mignon na mesa.

É poder puro. Travestido de conservador elege-se o “presidente da direita”. No caminho, a carcaça da qual teve que vestir, cai. Porque o poder põe em xeque, esgarça a falsidade e expõe à mesa do ‘jogo’ quem realmente é: um autoritário. Nicolau mostrou-nos que os governantes menos estáveis são aqueles conquistados com armas e as circunstâncias dos outros – lavajatismo, antissistema, desesperança da classe média – concorrentemente do fruto da violência extremada: o inimigo a ser destruído.

Sobre a falsa ideia de renovação da nossa imaginação moral – conceito de Edmund Burke – o Messias implanta não só a imaginação idílica de Rousseau, àquela que trata da falsa moral, na verdade, estabelece os ditames de uma linguagem e ação diabólica. Em completo caos, estamos tendo mentirosos debates, pois, nem tudo deve ser debatido.

O poder engole. O filósofo contemporâneo Francisco Razzo nos contemplou com o ensinamento a respeito do momento vigente: temos buscado na política aquilo que essa nunca poderá nos dar: estabilidade e segurança. As respostas para os problemas não estão na política. Como esmiuçado, ela nada mais interessa do que o meio, o caminho pelo qual as coisas acontecem. Porém, a imaginação diabólica que está presente desconstrói a verdadeira imaginação que deveríamos ter: a moral. A utopia não é apenas um “Novo Deus” e sim algo maior: o “último Deus”, tal como Massimo Cacciari revela em seu diagnóstico do nosso tempo o “mundo que vive uma completa transformação de tudo o que pensávamos existir, imerso em uma paralisia na qual ninguém parece saber como escapar, sem cair imediatamente no abandono de si próprio”.

Ao invés de buscarmos o significado, procuramos a conveniência de viver a espera do exterior, do Mito, de que realizem por nós o que só nós podemos realizar. Portanto, a imaginação dada por T.S. Eliot prevalece, justamente por não haver outro meio – em nosso limbo – para a salvação dos problemas: “o tempo que nos resta só será plenamente resolvido em um grande evento apocalíptico de proporções inimagináveis”, pensam.

Quando há a exteriorização da resposta – a transferência de responsabilidade – é o tempo de amadurecer o monstro que dominará o poder de controle de seus pensamentos, porque você abandonou a si, converteu o seu poder a outrem que não medirá esforços para manter o domínio sobre você com a sustentação do próprio poder. O ocidente falhou miseravelmente como indivíduos independentes, tornando-nos dependentes – reféns – de grandes homens que detém do poder de Katechon – O Anticristo. Acerca disso, Martim Vasques da Cunha completa o pensamento de Massimo Cacciari em seu artigo A política do Abandono:

Segundo sua perspectiva, o abandono de Deus é simétrico a uma política abandonada que nos impede experimentar qualquer amostra de civilidade. Somente por meio da intuição que a Sophia concretizada na gestação de Maria ou na Pobreza de São Francisco ilumina a Trindade de Rublev, a Ressurreição de Piero e os Arnolfini de Eyck, suportaremos com (alguma) coragem a pressão que é viver na era insegura do katechon. Não se trata de uma esperança, mas, para Cacciari, é a chance de algum início autêntico. Até lá, ficaremos suspensos na anti-profecia descrita nas ásperas palavras desse filósofo italiano, semelhantes aos versos de um outro europeu, o poeta português Fernando Pessoa: “Os deuses não morreram: o que morreu foi a nossa visão deles. Não se foram: deixamos de os ver”. [grifo meu].

Assim, diante do exposto, é importante finalizar revelando, novamente, o quão necessária e precisa é a imaginação em nossas vidas, é esta que nos ajudará a entender um pouquinho do mundo e como as nossas relações humanas são dadas. Na política, que reflete a sociedade, pode-se perceber os diversos momentos em que houve a quebra da nossa imaginação moral, a qual deve sempre ser lembrada e nunca esquecida. Entretanto, os tempos mudaram conjuntamente das circunstâncias que nos foram impostas. Criamos monstros humanos capazes de configurar o caos e, que colocam os cidadãos em estados à margem da realidade.

Tudo porque o poder certamente já o engoliu, apenas espera que os outros também o sejam.

Eles não tinham como alterar seus sentimentos: aliás, nem mesmo você conseguiria alterá-los, mesmo que quisesse. Podiam arrancar de você até o último detalhe de tudo que você já tivesse feito, dito ou pensado; mas aquilo que estava no fundo de seu coração, misterioso até para você, isso permaneceria inexpugnável”.

(George Orwell – 1984)

Este post tem 3 comentários

  1. If you want to use the photo it would also be good to check with the artist beforehand in case it is subject to copyright. Best wishes. Aaren Reggis Sela

  2. Excellent post. I am going through a few of these issues as well..

  3. Ótimo texto, muito bem escrito, com uma opinião coerente.
    Adorei este trecho:
    “Sobre a falsa ideia de renovação da nossa imaginação moral – conceito de Edmund Burke – o Messias implanta não só a imaginação idílica de Rousseau, àquela que trata da falsa moral, na verdade, estabelece os ditames de uma linguagem e ação diabólica. Em completo caos, estamos tendo mentirosos debates, pois, nem tudo deve ser debatido.”
    Gostaria de ler um ensaio sobre linguagem e simbologias.

Deixe uma resposta

Fechar Menu
Top