Conservadorismo puro e simples – Lucas Gomes

Conservadorismo puro e simples – Lucas Gomes

Nos tempos de hoje podemos notar uma variedade de reações negativas apenas ao pronunciarmos a palavra ‘conservadorismo’. Entretanto, a deturpação sofrida histórica e filosoficamente é algo desesperador ou engraçado, dependendo do modo como você pode levar as dificuldades, mesmo sendo uma bastante séria e que interfira tanto em sua vida.

O ponto de partida para destrinchar algumas deturpações sobre o conservadorismo é desassociar do reacionarismo, visto que ainda há muita confusão até mesmo para aqueles que se intitulam conservadores.

O conservador se estabelece entre as duas utopias, fincando sua bandeira exclusivamente na realidade. As utopias que divergem do conservadorismo estão entre a utopia passada (reacionária) e a futura (revolucionária), nas palavras de Anthony Quinton, o reacionário não será mais do que um “revolucionário do avesso”, alguém que interessado em efetuar um corte semelhante com o “riso presente”, de forma futura, mas para “felicidade utópica” passada.

Livrando-se da pecha de ser utópico, o conservadorismo pode ser entendido como um sentimento natural, como escreveu o Quintin Hogg “o conservadorismo é uma força interior e constante”. O filósofo Inglês Roger Scruton
em seu livro ’Como Ser Um Conservador’ explica o modus operandi do conservadorismo, citando que ”o conservadorismo tenta compreender como as sociedades funcionam e criar o espaço necessário para que sejam bem-sucedidas ao funcionar.” Em outro trecho o citado autor explica de uma forma simples aquilo que fora mencionado neste artigo, Scruton fala que ”o negócio do conservadorismo não é corrigir a natureza humana ou moldá-la de acordo com alguma concepção ideal de um ser racional que faz escolhas”.

Ademais, outro filósofo que definia o modo de ação do conservador era Friedich Hayek, este dizia que a sociedade civil, é, ou deveria ser, uma ordem espontânea: uma ordem que emerge de uma mão invisível, a partir das relaçõesde uns com os outros. Ou seja, não há como definir as ações humanas e sim adequá-las de acordo como as tradições e moralidade daquele povo formador da sociedade.

Existem dois tipos de conservadores: o conservador orgânico, que é aquele não letrado, mas que suas ações são exatamente de modo a preservar o que tem, reformar aquilo que está ruim e saber reconhecer que as coisas, sejam herdadas ou criadas, foram feitas mediante muito esforço e que, por mais que seja fácil destruir, não é fácil construir e preservar. Acredito no conservador orgânico, uma espécie de cidadão comum, aquele que ao reparar que seu carro, comprado com muito esforço há cinco ou dez anos, está com problema no motor, visa sua conservação; podemos a partir desse exemplo diferenciar o conservador do reacionário e revolucionário. Caso fosse reacionário, esse cidadão, negaria a situação, alegando que seu automóvel está em perfeito estado, pois assim estava quando comprou, abonando assim, qualquer senso de realidade. Já o revolucionário, tocaria fogo no carro, pois uma parte não presta, é um carro que tem cinco ou 10 anos, está ultrapassado. O conservador orgânico, mesmo que não
leia Roger Scruton, Michael Oakeshott, Edmund Burke, Olavo de Carvalho e afins, saberá que aquilo que fora conseguido com tanto esforço não poderia ser desprezado assim, que sabe que o carro quando comprado era muto bom e entende que a realidade não é a mesma de antes, entretanto, conhece a situação em que, ateando fogo no veículo, imaginando que seria melhor ter um Porsche, sabe que a realidade não será essa. Como um conservador, ele levará o carro na oficina, buscando assim, consertar o motor.

O conservador letrado ou acadêmico é aquele que deu um passo além dos seus instintos, é aquele que busca um conhecimento teórico além de suas ações naturais. O conservador acadêmico/letrado, busca fortalecer o sentimento do conservadorismo, o modo de viver do conservador no campos das ideias. O conservador da definição do Michael Oakeshott “é preferir o familiar ao desconhecido, o testado ao nunca testado, o fato ao mistério, o atual ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao abundante, o conveniente ao perfeito, o riso presente à felicidade utópica”, é por isso que aquele que estuda conservadorismo luta. Por mais que a fala do conservador seja rígida, dura e até triste, o relato é baseado na realidade, na verdade, ainda que tentem deturpar; enquanto isso, seus opositores discursam bonito, com falas agradáveis e excitantes, o que é utópico, impossível e desastroso.

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