[COLUNA] Poesia às mulheres: Kant, o belo e o sublime – Ana Flávia Coelho Marques e Lucas Velasques

[COLUNA] Poesia às mulheres: Kant, o belo e o sublime – Ana Flávia Coelho Marques e Lucas Velasques

A antropologia do filósofo Immanuel Kant, referente às mulheres, prende-se às concepções do que a sociedade as atribui e consequentemente de sua generalização. As reflexões de Kant sobre as mulheres privilegiam observações psicológicas sobre a sua beleza em sua obra “Observações Sobre o Sentimento do Belo e do Sublime” (1764). A mulher é enquadrada nas qualidades originárias do sentimento do belo, que é caracterizado por um prazer intersubjetivo universal positivo.

De acordo com o juízo do gosto, aquilo que agrada desinteressada, universal e subjetivamente, no que lhe concerne o juízo, é resultante do sentimento do jogo harmonioso entre as faculdades cognitivas. Se todo sujeito possui as faculdades da Imaginação e do Entendimento, está apto a julgar o belo da mesma forma.

Existem dois conceitos de beleza na concepção kantiana, sendo eles: a beleza livre e a beleza aderente. A beleza livre não pressupõe de nenhum conceito, enquanto a aderente pressupõe o conceito daquilo que a coisa deve ser.

Voltando ao parágrafo inicial, apesar do rótulo imposto pelo filósofo de que a mulher só pode ser enquadrada no sentimento do Belo, nada a impede de ter a coragem de valer-se de sua própria inteligência. Além disso, como o próprio filósofo cita, “o Belo possui tanto Entendimento quanto o sexo masculino”.

Aventava Niemeyer: “não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo o homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida”.  E assim ensinava Kant. Na forma do Sublime, as retas masculinas delimitavam o grandioso que se misturava com o terrível; o nobre que se misturava com a simplicidade e, no cume, o magnífico. Mas as retas, ínsitas à natureza dos homens, não se confundiam com o belo.

No Yin, o feminino, isto é, o Belo, representa a contração e a imanência, o perfeito e o alinhado, as curvas que se desenham nos limites do alto monte esculpido pela natureza, a juventude e a incompletude. Para Kant, portanto, a exuberância feminina não é tão-só simplório sentimentalismo. É, também, a própria perfeição do ponto de vista físico-visual.

É uma declaração para nos mostrar que, de forma kantiana, ao passo que o homem é o sentido desalinhado e abstrato, a mulher é a subsunção da abstração para a iluminação dos fatos físicos-virtuais, factíveis na condição natural: a mulher é a pureza do belo; o homem, a ruptura ruminante do magnífico. Ora, a imaculada união entre o Yin e o Yang.

Mulher é, enfim, a incompletude, no resultado mais puro da semântica, onde os Céus planearam de modo a si própria buscar-se preencher. O homem é pleno, e é essa sua cruz. A mulher é a curva da incógnita: e esse é seu meio para a cruz. É neste destino que ela se vê. É no cenário belo da jovem pétala se esvaindo com o vento que a mulher se (re) floresce, haja vista que na imensidão da superfície do pacífico há uma imersão de um oceano de incompreensão. Alertou a Esfinge, mas falhamos: neste mar de enigma, nos afogamos e fomos devorados.

Este post tem 4 comentários

  1. Ola neoiluministas parabéns pelo texto. Deixa eu ver se entendi Kant diz então que biologicamente a mulher é bela pela curva e o homem sublime pelos traços mais “tortuosos” (não exatamente nesses termos)? Poderia explicar? Agradecido. César.

  2. Quanta sensibilidade! Que dupla!! Aninha e Velascão!! Já queromais textos dessa dupla!!

  3. Que eu sempre consiga capturar toda essa beleza expressada pelo olhar desses profundos autores.

  4. muito bom

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