O Conceito de Empreendedorismo: Definição e Características Inerentes ao Empreendedor – André Filipe

O Conceito de Empreendedorismo: Definição e Características Inerentes ao Empreendedor – André Filipe

O que é Empreendedorismo?

O conceito de empreendedorismo passou por uma série de revisões na tentativa de explicar a razão pela qual indivíduos se engajam em atividades empreendedoras. Em traços gerais, pode-se afirmar que empreendedorismo está correlacionado com atributos característicos da pessoa empreendedora (habilidades cognitivas) e também com forças sociais e culturais (e até políticas), que favorecem a criação de um ambiente propício ou limitador da capacidade empreendedora (Cf. Sexton & Landstrom (2000), Acs & Audrestch (2003) Braunerhjelm (2008), Braunerhjelm (2010).

Observemos algumas características e definições em torno do empreendedorismo desde a segunda metade do século XVIII até aos anos 90, defendidas por diversos autores e que foram evoluindo com a própria evolução do capitalismo e da economia mundial:

1) R. Cantillon (1755) – O Empreendedorismo é definido como criação de próprio emprego. Emprego próprio lida com um grau de incerteza adicional. Empreendedores devem equilibrar as suas atividades de acordo com as necessidades de mercado.

2) J.B. Say (1855) – Empreendedores alteram dinâmicas econômicas, transformando áreas de baixa produtividade em áreas de alta produtividade. Empreendedorismo implica muitos obstáculos e incertezas.

3) A. Marshall (1890) – Empreendedores e gestores possuem funções diferentes, porém complementares.

4) F. Knight (1964) – Empreendedores pertencem a uma classe social especial que impulsionam a atividade econômica. Incerteza é o aspecto primário do empreendedorismo.

5) H. Leibenstein (1968) – A parte mais importante da atividade empreendedora implica diminuição de ineficiências organizacionais e inversão da entropia organizacional. Existem dois tipos de empreendedores: um empreendedor “gestor”, que introduz novos inputs no processo de produção de forma efetiva, e o empreendedor schumpeteriano, que preenche lacunas de mercado pela introdução de novos produtos ou processos;

6) I.Kirzner (1997) – O Empreendedorismo move o mercado para um certo equilíbrio, onde o papel do empreendedor é identificar arbitrariamente as possibilidades de negócios mais rentáveis.

O Empreendedor Schumpeteriano: Criação Destrutiva e sua importância para a dinâmica Econômica

Um dos autores mais proficientes sobre teoria do empreendedorismo é Joseph Schumpeter, um economista do século XX da escola austríaca (1883-1950). Na sua obra “Teoria do Desenvolvimento Econômico” (1934), o autor sustenta a hipótese de que o empreendedor é o motor econômico da economia capitalista, introduzindo inovações que causam entropia e perturbação do sistema. Schumpeter considerava que esse papel de inovador e criador de dinâmica econômica acontecia devido à introdução de novos produtos, mercados ou métodos de produção. No entanto, autores como Kirzner (1997) criticam o processo de criação destrutiva, defendendo que a introdução de novas ideias no mercado acabam aumentando a consciência mútua dos participantes e impulsionam os preços, a produção, as quantidades e as qualidades de entrada para um certo equilíbrio.

Contudo, estudos como aquele que foi desenvolvido por Carreira & Teixeira (2010), comprovaram empiricamente que existe estimulação da competição em empresas já estabelecidas quando novos produtos são colocados no mercado, ainda que os efeitos diretos de entrada sejam pequenos.

Ou seja, com a destruição do status quo ao criar um novo ciclo e um novo fluxo, Schumpeter sugere que o crescimento econômico não foi gerado pela acumulação de capital, mas por novas ideias de negócios e inovações persistentes. Landstrom (2005) corrobora a tese do economista dando ao processo da inovação um papel central na figura do empreendedor.

Também Shane (2012), defende “que os empreendedores (…) exploram essas oportunidades potencialmente lucrativas por meio da recombinação criativa de recursos”.

A inovação schumpeteriana (Schumpeter, 1947) envolve orientação para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, tecnologias, técnicas administrativas, novas formas de organização, incentivos e novas estratégias. Assim, a inovação e o empreendedorismo em Schumpeter andam lado a lado (ambos convergem e tem diversas aplicações práticas, como por exemplo em muitos programas de escolas de negócios) e em algumas políticas e modelos econômicos (Sahut & Peris- Ortiz, 2014).

Caraterísticas Inerentes ao Empreendedor: Criação, Tomada de Risco e Oportunidade

Nos anos 80 e 90, este era um campo de pesquisa ainda relativamente jovem em termos acadêmicos e sem uma definição clara. No entanto, pode-se afirmar que a figura do empreendedor era distinguível de um pequeno proprietário de negócio ou de um trabalhador independente (Cunningham, 1991). Nesta definição do que não é empreendedorismo cabe ainda quem herda uma empresa pré-existente e permanece com o respectivo modelo de negócio sem introduzir quaisquer tipos de mudanças ou tomadas de risco. Assim, se conclui que empreendedorismo está diretamente ligado a dois conceitos-chave: criação e tomada de risco.

Em relação à criação, Gartner (1995) definiu empreendedor como alguém que inicia um negócio que não existia antes, tal como Assadi (2016) sugere que “(…) As competências empresariais inovadoras tornaram-se o núcleo do desenvolvimento econômico, do crescimento econômico, do aumento da produtividade, da melhoria da competitividade internacional e de uma maior mobilidade nos mercados mundiais para obter o máximo benefício dos seus esforços. Contribuem igualmente para o desenvolvimento de uma cultura empresarial em todos os níveis organizacionais e para a criação de equipes empresariais na organização. Na verdade, a fim de ser considerado criativa e bem-sucedida qualquer organização precisa de pessoas criativas e bem-sucedidas trabalhando para ela.” (Asadi, 2016:1). Inevitável discutir o conceito de empreendedorismo sem referir o conceito de inovação. Shane (2012: 17-18) inclui implicitamente a inovação como uma característica essencial do empreendedorismo. “O empreendedorismo envolve mais do que o (…) processo de descobrir oportunidades de lucro. Envolve também vir acima com uma ideia de negócio sobre como recombinar recursos para explorar essas oportunidades. “

Como foi referido, outro aspecto importante a respeito do conceito do empreendedorismo é a tomada de risco. Tal como Miller (1983) refere: “[empreendedorismo não é] (…) imitações de empresas concorrentes sem tomada de risco. Tomadas de risco em empresas fortemente alavancadas economicamente, idem – não são empreendedorismo. Empreendedorismo envolve ações proativas e envolvimento com produtos de mercado ou inovação tecnológica” (Miller 1983:780). Partindo da definição, é possível então defender-se que o empreendedorismo envolve inovação e introdução de novos produtos no mercado que geram competitividade e resposta por parte de empresas concorrentes associados a um risco independente (Cf. Low & Macmillan, 1988; Khandwalla, 1977). Deste modo, a atividade empreendedora pauta-se por atacar de forma agressiva novas oportunidades de mercado gerando retaliação de empresas já estabelecidas, aceitando risco alto para futuras probabilidades de retorno também alto.

Estudos recentes como o experimento desenvolvido por Koudstaal, Sloof & Van Praag (2015) concluiu que empresários empreendedores são mais propensos a terem decisões de tomada de risco do que funcionários ou gerentes no geral. Esta aversão ao risco parece estar diretamente associada à aversão à perda, o que equivale a dizer que o maior fator de impedimento à atividade empreendedora é o medo da perda (Cf. Global Entrepreneurship Monitor. 2015).

Caccioti et. al. (2016) corrobora esta posição sugerindo que “(…) o medo de falhar é predominantemente mostrado como um fator psicológico que inibe o comportamento empreendedor” (c.f. Bosma et al., 2007; Henderson & Robertson, 1999) e diversos estudos confirmam que o medo de falhar exerce um impacto negativo na atividade empreendedora (Li, 2011, Minniti & Nardone, 2007; Wagner, 2007). Partindo desta hipótese, pode-se inferir se existem grupos de pessoas com menos aversão ao risco e maior número de caraterísticas naturais de empreendedor do que outros grupos. Assim sendo, um grupo com menor aversão ao risco será objetivamente mais permeável à inovação e ao empreendedorismo.

A literatura também associa de forma abundante atividade empreendedora com oportunidade. Shane & Venkataraman (2000) referem-se a oportunidades empresariais como aquelas situações em que novos bens, serviços, matérias-primas e métodos de organização podem ser introduzidos e vendidos a um preço superior ao seu custo de produção (Cf. Baum e Bird 2010; Nga & Shamuganathan, 2010). Esta identificação e exploração de oportunidade implica uma sensibilidade e entendimento das dinâmicas do mercado por parte do empreendedor.

Abordagens heterodoxas e críticas ao conceito de Empreendedorismo

Alguns autores possuem linhas de abordagem diferentes ao empreendedorismo. Por exemplo, Fetter (1915) define “sorte” e “acaso” como as externalidades que acontecem muitas vezes e que podem separar um empreendedor do sucesso ou do fracasso: “O que é sorte? Um resultado que não é calculável, acontecendo em condições onde uma escolha racional não é possível, é chamado de sorte, por falta de outro nome. O risco do indivíduo então pode ser eliminado pelo seguro (…) Mas muitos fatores evitam todas as tentativas de reduzi-lo (…) guerra, mudanças nos mercados, boas e más colheitas, crises financeiras, etc. Um ano a empresa ganha, outro perde. Um homem faz um sucesso porque ele se envolveu em negócios naquele momento, outro homem falha porque ele o realizou em outro momento, sem julgamento mais real em um caso do que outro.” (Fetter,1915: 360-361).

Assim, o ideal para o empreendedor seria estudar ao máximo as causas do sucesso, já que “quanto maior for o peso da escolha, menor será o peso da sorte” (Fetter, 1915: 360). Autores como Peterson (1985) e Garfield (1986) também corroboram a ideia de que de que o empreendedor possui a capacidade e competência de identificar, explorar oportunidades e desenvolver nichos de mercado ou estratégias de satisfação de necessidades de mercado (se bem que Fetter usa o termo no sentido que autores modernos usam risco).

Já Fernández-Herrería & Martínez-Rodríguez (2016) trazem para o debate a importância de uma nova identidade do empreendedor, que deve ser alguém não só como consciência tecnológica, mas também com uma consciência voltada para a comunidade de valores contrários ao sistema neoliberal que considera ser egoísta e predatório. Este conceito de neoliberalismo não deve ser confundindo com o liberalismo clássico, que se pautava por perfeita concorrência e pouco monopólio. Kempf (2007) sugere que o capitalismo moderno se modificou criando a existência de um Estado que não favorece pequenos empresários, é corporativista e permite a existência de oligarquias que favorecem grandes corporações e o acúmulo de meta-capital (Cf. Netto, 2001). Assim, é importante entender que a atividade empreendedora também depende em grande parte da orientação ideológica das entidades políticas e que estas deveriam tomar medidas para intervir (ou não intervir) para deixarem o mercado mais livre e competitivo.

Recentemente, autores como Oosterbeek, Van Praag, & Ijsselstein, (2010) discutiram a necessidade dos países elaborarem programas de educação para o empreendedorismo, mas comprovaram que esses programas quando aplicados diretamente em escolas não tiveram resultados práticos e até tiveram um impacto negativo. No entanto, decisores políticos na Europa e nos Estados Unidos acreditam que é necessário mais empreendedorismo para atingir níveis mais elevados de crescimento econômico e de inovação e que o aumento dos níveis de empreendedorismo pode ser alcançado através da educação. Estudos anteriores sugerem que a formação empresarial é eficaz para o desempenho das pessoas que se candidataram ao microfinanciamento para iniciarem o seu próprio negócio (Karlan e Valdivia, 2006). Um estudo de Liu (2014), também comprovou efeitos positivos globais sobre o ensino do empreendedorismo em estudantes universitários na China.

No entanto, existem críticas mais hostis à atividade empreendedora, sobretudo críticas sociológicas advindas da escola marxista. Dardot & Laval (2016) falam da nocividade da abertura do mercado e facilidade de criação de negócio associada aquilo que apelidam de “neoliberalismo” como um processo global – e não apenas uma doutrina econômica ou ideológica – que adentra as relações sociais e as torna mecânicas e fúteis, onde a figura central dessa crítica é o “sujeito empresarial”. O empreendedorismo e as trocas comerciais fazem com que o indivíduo se torne em uma máquina de puro lucro individualista. Esta tese vai de encontro às críticas dos fundadores da escola marxista como Marx e Engels quando postulam a Teoria da Mais Valia (Marx, 1980). Nesta vertente econômica, o livre mercado é um mecanismo de exploração e opressão da classe trabalhadora por parte do empreendedor, ao qual Marx se refere como “burguês”. Este mecanismo foi responsável pela pobreza massiva dos trabalhadores no século XIX – a chamada “questão social” (Cf Netto, 2008), onde a Mais Valia seria o lucro obtido através da já referida exploração da força do trabalho da classe operária (que se submetia a essas condições por falta de opção).

Referências Bibliográficas 

ACS, Z. J., & AUDRETSCH D. B. (2003). Innovation and technological change (pp. 55-79). Springer US.

ARENIUS, P., & MINNITI, M. (2005). Perceptual variables and nascent entrepreneurship. Small business economics, 24(3), 233-247.

BAUM, J. R., & BIRD, B. J. (2010). The successful intelligence of high-growth entrepreneurs: Links to new venture growth. Organization Science, 21(2), 397-412.

BRAUNERHJELM, P. (2008). Entrepreneurship, knowledge and economic growth. Foundations and Trends® in Entrepreneurship, 4(5), 451-533.

BRAUNERHJELM P. (2010) Entrepreneurship, Innovation and Economic Growth-past experience, current knowledge and policy implications, CESIS, KTH Royal Institute of Technology

BOSMA, N., & HARDING, R. (2007). Global entrepreneurship monitor: GEM 2006 results.

CANTILLON, R. (1755) Essai Sur la Nature du Commerce en general, Institut Coppet, Paris

CARREIRA, C. & TEIXEIRA, P. (2010). Does schumpeterian creative destruction lead to higher productivity? The effects of firms’ entry (No. 2010-20). GEMF-Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra

CUNNINGHAM, J Barton; Lischeron, Joe. Journal of Small Business Management; Milwaukee29.1 (Jan 1991): 45.

FERNÁNDEZ-HERRERIA, A., & MARTÍNEZ-RODRIGUEZ, F. M. (2016). Deconstructing the neoliberal “Entrepreneurial Self”: A critical perspective derived from a global “biophilic consciousness”. Policy Futures in Education, 14(3), 314-326

FETTER, F. A. (1915). Modern economic problems (Vol. 1). Century.

GARTNER, W. B., & SHANE, S. A. (1995). Measuring entrepreneurship over time. Journal of Business Venturing, 10(4), 283-301.

G.E.MONITOR (2016) Global Entrepreneurship Report 2015/2016

HENDERSON, R., & ROBERTSON, M. (1999). Who wants to be an entrepreneur? Young adult attitudes to entrepreneurship as a career. Education+ Training, 41(5), 236-245.

LANGOWITZ, N., & MINNITI, M. (2007). The entrepreneurial propensity of women. Entrepreneurship theory and practice, 31(3), 341-364.

LANDSTROM, H. (2005), Pioneers in entrepreneurship and small business research, New York: Springer.

LEIBENSTEIN, H. (1968). Entrepreneurship and development. The American Economic Review, 58(2), 72-83.

LOW, M. B., & MACMILLAN, I. C. (1988). Entrepreneurship: Past research and future challenges. Journal of management, 14(2), 139-161.

LIU,S (2014) Impact of Entrepreneurship Education on Entrepreneurship and Development of College Students , INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON ENGINEERING TECHNOLOGY, EDUCATION AND MANAGEMENT (ISETEM 2014), Guangzou, P.R. China

MARSHALL, A. (1890) Principles of Economics, 8a Ed., The Online Library of Liberty

MILLER, D. (1983). The correlates of entrepreneurship in three types of firms. Management science, 29(7), 770-791.

KARLAN, D. S., & VALDIVIA, M. (2006) Teaching Entrepreneurship: Impact of Business Training on Microfinance Clients and Institutions, r. Yale University Eco! nomic Growth Center Discussion Paper No. 941. Center for Global Development Working Paper, (108).

KOUDSTALL, M., SLOOF, R., & VAN PRAAG, M. (2015). Risk, uncertainty, and entrepreneurship: Evidence from a lab-in-the-field experiment. Management Science, 62(10), 2897-2915.

KEMPF, H. (2009). Para Salvar o Planeta, Livrem-se do Capitalismo.

KIRZNER, I. (1997) Entrepreneurial Discovery and the Competitive Market Process:

KNIGHT, F. (1964) Risk, Uncertainty and Profit , Ed. Reprints of Economic Classics, Institute Mises, New York

KHANDWALLA, P. N. (1977). The design of organizations (Vol. 260). New York: harcourt brace Jovanovich.

MINNITI, M., & NARDONE, C. (2007). Being in someone else’s shoes: the role of gender in nascent entrepreneurship. Small Business Economics, 28(2), 223-238.

NGA, J. K. H., & SHAMUGANATHAN, G. (2010). The influence of personality traits and demographic factors on social entrepreneurship start up intentions. Journal of business ethics, 95(2), 259-282.

NETTO, J. P. (2007) Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez

OOSTERBEEK, H., VAN PRAAG, M., &  IJSSELSTEIN, A. (2010). The impact of entrepreneurship education on entrepreneurship skills and motivation. European economic review, 54(3), 442-454.mics, 24(3), 233-247.

SAHUT, J. M., & PERIS-ORTIZ, M. (2014) Small business, innovation, and entrepreneurship. Small Business Economics, 42(4), 663-668

SAY, J. Baptiste (1855) A Treatise on Political Economy, C.R. Prinsep , trans. And Clement C. Biddle,6a Ed., Library Economics and Liberty

SCHUMPETER, J.A. (1934) The theory of economic development, Cambridge, Mass.: Harvard University Press;

SCHUMPETER, J. (1947). The Creative Response in Economic History,The Journal of Economic History (7), 149-159.

SHANE, S. (2012). Reflections on the 2010 AMR decade award: Delivering on the promise of entrepreneurship as a field of research. Academy of Management Review, 37(1), 10-20.

WAGNER, J. (2007). What a difference a Y makes-female and male nascent entrepreneurs in Germany. Small Business Economics, 28(1), 1-21.

SHANE, S., & VENKATARAMAN, S. (2000). The promise of entrepreneurship as a field of research. Academy of management review, 25(1), 217-226.

ZHAO, Y., LI, Y., LEE, S. H., & CHEN, L. B. (2011). Entrepreneurial orientation, organizational learning, and performance: Evidence from China. Entrepreneurship theory and practice, 35(2), 293-317.

Fechar Menu
Top