O Manifesto do Neoiluminismo: Quem Somos Nós?

Olá!

Talvez você esteja se perguntando sobre o que exatamente é este site, quem são estes autores com nomes peculiares que trabalhamos em nossos artigos, quem somos nós, e o que propomos com tudo isto.

Basicamente, podemos nos apresentar como um grupo entusiasta de um programa político-social que reúne aspectos singulares de estruturas teóricas específicas, cujas marcas distintas o tornam um tanto especial e diferente de tudo o que você já possa ter visto.

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Minarquismo

Em primeiro lugar, somos adeptos da proposta político-econômica alinhada ao liberalismo clássico, ou então qualquer das diferentes formas de arranjos institucionais que estão de acordo com a concepção do minarquismo. Nos posicionamos estritamente a favor de uma  limitação no poder do Estado (este como uma instituição política de manutenção social) com foco rigoroso na proteção dos direitos individuais relativos aos de liberdade, propriedade e vida.

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Revolução Americana de 1776: evento histórico fortemente influenciado pela ideias do Liberalismo Clássico.

As vias econômicas da realização de tal arranjo político em questão, variam em diferentes perspectivas individuais acerca de poucos pontos (políticas que deveriam ser adotadas, objetivos dentro de prazos determinados etc), mas podemos dizer que a nossa visão de uma forma geral está próxima à Escola Clássica(em especial, à tradição smithiana), aos Novo-Institucionalistas, à Escola Austríaca(principalmente à ala hayekiana), à Teoria da Escolha Pública e à Nova Economia Clássica.

Exemplos de autores que acatam nossa abordagem política, econômica e institucional ou ao menos alguns aspectos dela, são: Friedrich A. Hayek, Adam Smith, James Buchanan, Ludwig Lachmann, Don Lavoie, Carl Menger, Ronald Coase, Henry Hazlitt, Robert Higgs, Fritz Machlup, Peter Boettke, Israel Kirzner, Vernon Smith, Elinor Ostrom, Gary Becker, George Stigler, Gordon Tullock, Steven Horwitz, Matt Zwolinski, David Prychitko, Gregory N. Mankiw, Robert Lucas, entre vários outros.

Em segundo lugar, prezamos pelo aprofundamento do debate em áreas específicas da filosofia e da epistemologia contemporânea, além de outras áreas do saber. Nos são de grande interesse os estudos sobre ética (em especial, os que se encontram no campo deontológico), filosofia da mente, epistemologia social, filosofia grega (a aristotélica, especialmente), estudos sobre o tomismo, filosofia analítica e continental, neurociência, filosofia política, filosofia do direito, filosofia pragmática, filosofia da ciência, história da filosofia, fenomenologia, antropologia, biologia, lógica, filosofia da matemática, sociologia, psicologia, teoria do discurso, entre outras áreas nas quais costumamos focar.

Temos, ainda, imenso apreço pela estrutura teórica lançada pelo filósofo Immanuel Kant (1724-1804), que consideramos como uma das principais bases de nosso pensamento e proposta. Contudo, outros exemplos de autores, que se aproximam bastante de nossas visões de mundo, são: Wilfrid Sellars, Arthur Ripstein, Otfried Höffe, Robert Brandom, John McDowell, Aristóteles, Tomás de Aquino, Ludwig Wittgenstein, Martin Heidegger, Jürgen Habermas, Karl-Otto Apel, Donald Davidson, Peter Hacker, Hilary Putnam, Robert Hanna, Alan Gewirth, Isaiah Berlin, Max Weber, Ortega y Gasset, Raymond Aron, Herbert Lionel Hart, Wilhelm von Humboldt, Peter Strawson, Hans-Georg Gadamer, Patricia Kitcher, Ray Brassier, entre outros.

Em suma, o que propomos é uma síntese de ideias específicas que seguem um padrão nas linhas gerais acima apresentadas, bem como o fomento de um novo tipo de debate que possa aprimorar as ideias alinhadas nestes termos. No entanto, somos inimigos declarados de uma certa característica que tem se mostrado comum no debate contemporâneo: o dogmatismo radical, geralmente manifestado em estruturas teóricas ou padrões comportamentais – que estarão passíveis de críticas da nossa parte – do debate político-social.

Portanto, nós dispomos de uma oportunidade para o esclarecimento intelectual daqueles que procuram ter os ideais fundamentais que consideramos para o nosso projeto; ou seja, uma chance de aprimoramento para aqueles que caminhem com os princípios, como gostamos de substanciar, da ordem, da paz e da liberdade. Para os que venham a se entusiasmar com nossas ideias e propostas, que este seja um berço de conhecimento e um recanto de luzes na busca por um novo futuro: um neoiluminismo para estes novos tempos.

Sapere Aude!

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Da esquerda para a direita, na primeira fileira:Immanuel Kant, Aristóteles, Tomás de Aquino, Ludwig Wittgenstein, Carl Menger, Friedrich A. Hayek, Adam Smith, Ludwig Lachmann.

Da esquerda para a direita, na segunda fileira:Max Weber, Robert Nozick, James McGill Buchanan Jr., Jürgen Habermas, Wilfrid Sellars, Robert Brandom, John McDowell, Karl-Otto Apel.

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 Sites recomendados:

Pragmatologia: Post- Libertarianism Unbound 

Devaneios Liberais: Lib-Conservatism

P.S: A adoção do nome ‘Neoiluminismo’ reflete esteticamente o nosso desejo em criar, como objetivo, um movimento intelectual inovador que tenha como foco o fomento ao debate e a divulgação das linhas gerais de todas as ideias que foram descritas aqui; um movimento que consiste em divulgar ‘ideias’ para ‘esclarecer’ ou ‘iluminar’ o público interessado. Não temos uma relação necessária ou fixa com as ideias do Iluminismo do século XVIII, embora certamente nós nos consideramos como herdeiros de certos aspectos que foram deixadas por este legado (por exemplo: o próprio liberalismo clássico, a filosofia kantiana, entre outros). Porém, o contrário também é válido (por exemplo, rejeitamos quase que totalmente a filosofia de Rosseau).
É importante ressaltar esta explicação para tal confusão semântica, em função deste mero detalhe estético, para não causar mal-entendimento no sentido de acharem que necessariamente teríamos de seguir estritamente as bases ideais dos pensadores iluministas, quando na realidade, muitas das nossas bases sequer fizeram parte do movimento Iluminista. Nosso arcabouço teórico é fundamentado em autores diferentes (e mesmos nestes autores, não aceitamos completamente tudo em todos os aspectos, mas sim os pontos e ‘insights’ mais fulcrais) de épocas diferentes, na forma de uma síntese própria das estruturas teóricas que foram descritas aqui; logo, não estamos de nenhuma forma ancorados ou fixos, totalmente, às ideias de um único momento histórico, ou absolutamente presos dentro de um único corpo teórico.

Immanuel Kant

28906531_1583661241741388_1436856689_nImmanuel Kant (1724-1804) foi um filósofo nascido na cidade de Königsberg da antiga Prússia. É, considerado em muitos aspectos, o maior filósofo moderno, por ter sido o inspirador e a base de uma série de outros autores importantes que nasceriam depois.

Kant ficou conhecido por ter resolvido, através de uma síntese, o conflito epistemológico entre o empirismo britânico, representado por nomes como David Hume e John Locke, e entre o racionalismo continental, representado por nomes como René Descartes e Gottfried Wilhelm Leibniz, através da elaboração do seu idealismo transcendental: a mente humana contém formas que condicionam universalmente a experiência.

Desta forma, o empirismo britânico, com seu radicalismo, estava errado: pois os dados da experiência nunca aparecem como ‘coisas-em-si’ para a nossa mente – em outras palavras, a nossa mente não é uma tabula rasa (uma folha de papel em branco), como Locke argumentou, mas sim estruturada por meio de conceitos que já estão inseridos em nossa mente, e que podem ser conhecidos de forma a priori (aquilo que pode ser verificado independentemente da experiência externa). Por outro lado, o racionalismo continental, e seu dogmatismo, também estava errado, pois a razão sozinha não poderia ir muito além de meras noções tautológicas – em outras palavras, sem os dados da experiência, a razão não poderia nos dar informações sobre a realidade ao nosso redor.

O autor também realizou uma série de contribuições relativas a campos diferentes como os das relações internacionais, astronomia, filosofia do direito e a ética.

Kant pode ser descrito como a base fundamental e mais primordial de nossa visão como um todo, tal como de nossas propostas. Nos baseamos nas suas formulações sobre a ética, filosofia do direito e a epistemologia, e desta forma embasamos nossa maneira de enxergar a realidade e seus diferentes aspectos dentro dos nossos princípios de projeto político-social e de esclarecimento teórico. Nesses termos, nosso projeto pode ser considerado como profundamente kantiano, e herdeiro desta tradição e suas formulações posteriores.

Escritos recomendados:

– Crítica da Razão Pura

– Crítica da Razão Prática

– A Metafísica dos Costumes

– Para a Paz Pérpetua

Leia mais: aqui, aqui, aqui, aqui.

Aristóteles

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Aristóteles-Ἀριστοτέλης (384-322 a.C) nasceu na unidade regional Calcídica, especificamente em Estagira (hoje Stravo), cidade do norte da Grécia continental, junto a Trácia e Macedônia, na primeira metade do ano da nonagésima nona olimpíada sobre o arcontado de Diótrefes. Teve como pai, Nicômaco de Estagira, um médico pertencente a uma família Asclépiada, tradição que legou a Aristóteles grandes influências, que determinaram de certo modo o rumo de suas investigações, como o uso do conhecimento poiético como modelo epistemológico para o método de sua ética, e seus interesses pelas ciências naturais.

Ao completar 18 anos em 366 a.C, mudou-se para Atenas e foi membro da Academia de Platão durante 20 anos. Após a morte de Platão em 347 a.C, e a ascensão de seu sobrinho Espeusipo à liderança da Academia, Aristóteles deixa Atenas e vai para Assos na Ásia Menor, onde passa três anos, transferindo-se para Mitilene, na ilha de Lesbos. Ao longo desse período, fez uma vasta investigação científica, particularmente na área da biologia marinha, e o resultado desse trabalho foi coligido numa obra enganadoramente intitulada “A História dos Animais”, contendo observações pormenorizadas, e quase sempre corretas, sobre a anatomia, a dieta e os sistemas de reprodução de mamíferos, observações essas sem precedentes e que só seriam suplantadas no século XVII.

Foi convidado por Filipe II em 343 a.C a se instalar na capital Macedônia como preceptor do seu filho, Alexandre Magno, que em um espaço de uma década e meia, se tornou senhor de um império com conquistas e louros que cresciam exponencialmente.

Aristóteles retorna à Atenas em 335 a.C. Lá, próximo ao templo dedicado a Apoio Liceano, e abre uma escola, o Liceu (Lykeion), que passou a rivalizar com a Academia, então dirigida por Xenócrates. O Liceu passou a ter uma extensa biblioteca, um brilhante grupo de investigadores e alunos, e seu período lecionando no Liceu (335-323) foi o mais produtivo em sua carreira. Pela manhã ministrava aulas com os discípulos mais avançados, os chamados cursos esotéricos, os quais versavam sobre temas mais complexos como física, metafísica, lógica, matemática; à tarde e à noite, dava cursos exotéricos, abertos ao publico geral, com a dialética, retórica etc. A distinção dos cursos era puramente pragmática e de cunho didático. Com a morte de Alexandre Magno (323 a.C), a democracia ateniense rejubilou-se. Aristóteles, com medo de que a cidade “pecasse duas vezes contra a filosofia”, e por estar sendo acusado de impiedade, e sendo perseguido pela facção anti-macedônica, retira-se para Cálcis, na ilha de Eubéia, onde morreria um ano depois de Alexandre.

A criação do corpus aristotélico clássico tem sido atribuída a Andrônico de Rodes, pesquisador que organizou os escritos de Aristóteles que restaram, através do registro mais ou menos coerente de assuntos abordados. Apesar de que só nos restaram poucos tratados dos mais de 200 escritos pelo estagirita, o texto preservado preenche duas mil páginas modernas. A amplitude desse material é enciclopédica, com mais de quarenta trabalhos independentemente elaborados sobre metafísica, teologia, astronomia, meteorologia, zoologia, botânica, psicologia, ética, política, retórica, poética e lógica (entre outros tópicos). O Corpus aristotelicum apresenta o pensamento de Aristóteles com uma feição sistemática, como vasto conjunto enciclopédico no qual os mais diversos problemas são elucidados de forma aparentemente definitiva, todavia, o entendimento do pensamento Aristotélico como sistemático e a aparente fixidez foram reapreciados por modernos historiadores da filosofia como Werner Jaeger, que passaram a ressaltar a evolução interna revelada pelas ideias de Aristóteles.

As obras exotéricas, destinadas a divulgação, eram frequentemente diálogos parecidos com os de Platão, e delas nos restaram apenas fragmentos:  “Eudemo”(sobre a imortalidade da alma); “Profético”(um convite à “admiração”, filosofia), diálogo que teve grande influência e foi reproduzido por Cícero (Hortensius) despertando a vocação filosófica de Agostinho; “Sobre a filosofia”, que combate a teoria platônica dos números ideais e apresenta uma concepção cosmológica de cunho finalista e teológico, um organismo que se desenvolve graças a um dinamismo interior, um princípio imanente que Aristóteles chama de “natureza” (Physis).

As obras esotéricas, destinadas aos estudos dos discípulos, se apresentam em forma de tratados, muito dos quais estão reunidos por títulos didáticos, como o caso do livro “Física”. O conteúdo acroamático do Corpus Aristotelicum apresenta organização sistemática:

I- Os tratados de lógica receberam como denominação “Órganon”, já que para Aristóteles a lógica não seria parte integrante da ciência e da filosofia, mas apenas um instrumento (organon), que elas utilizam em sua construção, incluindo “Categorias”, que estuda os elementos do discurso e é predominantemente focado na linguagem, “Sobre a interpretação”, que trata dos juízos e de proposições, “Os Analíticos” que tratam das regras de silogismo, do raciocínio formal e a demonstração científica, e os “Os Tópicos”que tratam de argumentação geral, retórica e investigam falácias.

II- Os tratados sobre a natureza, “Física”, que examinam conceitos gerais relativos ao mundo físico (natureza, movimento, infinito, vazio, lugar, tempo etc.); o “Sobre o Céu”(De Coelo)acerca do mundo sideral e o sublunar; o “Sobre a Geração e a Corrupção”(De Generatione et Corruptione), “Atmosfera”relativo aos fenômenos físicos e atmosféricos, “De Anima”, o tratado da alma (Psykhe), o princípio vital de todo ser vivo; “Parva Naturalia” e “História dos Animais”.

III- A filosofia primeira, “Metafísica”, trata dos primeiros princípios e primeiras causas da realidade.

IV- As obras de filosofia prática, “Ética a Nicômaco” e “Política”, doutrinas do meio termo e normas de ação.

V- Por fim, apresentando a obra “Poética”, e outros apócrifos, “Sobre o Mundo”, “Os Problemas”, “O Econômico” e sobre os Pré Socráticos.

A divisão do conhecimento em Aristóteles se estrutura em:

I- Ciência Geral: Definido como filosofia primeira(proté philosophia), metafísica ou ontologia(R. Goclenius), ciência do ser(tó on)enquanto ser, em busca das características mais básicas da realidade, tendo como entes celestes(cosmologia), divinos(teologia), ou a matemática. Podemos entender a Metafísica em quatro sentidos, não excludentes:

  1. Arqueologia: (Arché), etiologia-aitia (causa), busca das causas primeiras e dos princípios.
  2. Ontologia: (Onta-Logos) daquilo que existe em última análise, o concreto e absoluto.
  3. Substância: (Ousia) Das substâncias que abarcam o ser.
  4. Teologia: a ciência do ser perfeito, transcendente e/ou imanente.

II- Ciência Natural: Conhecimento da realidade natural, física, química, astronomia.

III-Ciências Biológicas: Ciências que investigam o ser vivo em movimento, pesquisas empíricas, psicologia, etc.

IV- Saber prático: Ética e Política; o saber prático distingue-se do teórico por seu objetivo não ser o conhecimento de uma realidade determinada, mas o estabelecimento das normas e critérios do bom agir, da ação correta(práxis).

O pensamento de Aristóteles desenvolveu-se sobretudo a partir de suas críticas aos pré-socráticos e a teoria das ideias de Platão, que consiste na rejeição do dualismo; a questão levantada por Aristóteles é sobre a impossibilidade de se explicar a relação entre o mundo inteligível e o mundo sensível, podendo ser considerada uma versão do paradoxo da relação. Toda relação é necessariamente interna ou externa, uma relação interna entre A e B só é possível quando os mesmos tem elementos em comum, já uma relação externa se dá quando não há elementos em comum entre A e B, como no caso do mundo inteligível com o sensível, por se tratarem de naturezas distintas. Portanto, a relação deve ser feita por um intermediário em um ponto externo, C, que serve de conexão entre A e B; porém a relação entre A, B, Ctambém será externa e necessitará de um intermediário, assim infinitamente. A conclusão é que só é coerente uma conexão interna, pra isso sendo desnecessário qualquer tipo de dualismo.

A realidade para Aristóteles, então, é formada por um conjunto de indivíduos materiais concretos, sendo eles constituídos de matéria(Hyle) e forma(eidos), a matéria sendo a substância individual e a forma sendo a substância secundária ou acidental, que não existe por si mesma e é a forma com cada qual indivíduo se organiza; a matéria só existe na medida em que possui determinada forma, e a forma existe como dependente do objeto, não existindo assim, formas puras, sendo ambos indissociáveis e constituindo uma unidade. É o intelecto humano que, no processo de abstração, separa matéria de forma no processo de conhecimento da realidade, relacionando objetos com a mesma forma e abstraindo sua matéria. Tipos gerais, gêneros e espécies só existem como resultado da abstração humana, sendo assim, a forma é totalmente dependente do objeto, que só existe particularmente. Para Aristóteles, tanto os pré-socráticos quanto Platão fizeram mal uso do verbo ser(einai). O verbo ser, nem sempre expressa identidade, podendo ter um uso atributivo ou predicativo, designando uma característica, por ex: “Sócrates é velho”.

Na Metafísica encontramos três distinções ontológicas:

I- Essência e Acidente: A ousia, entendida como substância individual, e por definição, essência que é o que faz com que algo seja o que é, a unidade que suporta os predicados (Hypokeimenon), sujeito ou substrato dos predicados, sendo os acidentes as características mutáveis e variantes do objeto, aquilo que não é essencial.

II- Necessidade e Contingência: As características essenciais são necessárias, enquanto as mutáveis são contingentes.

III- Ato e Potência: A possibilidade de ser uno(Ato) e múltiplo(Potencia).

A Teoria das Quatro Causas(cosmologia):

I- Causa Formal: Essência, forma, modelo ou consistência do objeto;

II- Causa Material: os elementos dos quais um objeto é criado;

III- Causa Eficiente: o meio pelo qual ele é criado;

IV- Causa Final: Objetivo, propósito do objeto, sua finalidade.

Aristóteles tem importância para nós na medida em que estamos falando do, considerado justamente por muitos, o maior nome da filosofia ocidental. Aristóteles não só superou todos os seus contemporâneos quantitativamente e qualitativamente, como foi o primeiro sistematizador da filosofia, sendo fundador de várias áreas do conhecimento. Este é tão admirado posteriormente, que é referido por Tomás de Aquino como “O Filósofo”, e também foi referenciado até o início do Renascimento como “O mestre daqueles que sabem”; “O limite e o modelo da inteligência humana”. Na medida em que Aristóteles é um dos grandes fundadores do corpo teórico ocidental, e de várias categorias e campos diferentes, muitos dos quais nosso projeto em muito se interessa, este autor conquista o lugar de prestigio que tem entre nós.

Escritos recomendados:

-Metafísica

-Órganon

-Ética a Nicômaco

-Política

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Tomás de Aquino

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Tomás de Aquino (1225-1274) foi um membro da Ordem Dominicana, nascido em Roccasecca, na Itália. É considerado um dos maiores filósofos e teólogos da história, e com certeza figura-se como o mais preponderante na história da filosofia medieval. Suas contribuições abarcam principalmente as áreas da epistemologia, ética, metafísica, teologia e até mesmo concepções políticas(em seus comentários e escritos acerca das relações do homem com o Estado, a ordem, paz, leis, guerra justa e etc).

Aquino é o fundador da tradição tomista na filosofia – que é o corpo filosófico da escolástica(por sua vez, esta era a sistemática metodológica das antigas universidades medievais). O tomismo foca-se principalmente na sintetização dos princípios filosóficos e metafísicos do corpo teórico aristotélico, com a teologia cristã. No entanto, a distinção entre os dois permanecia, na medida em que eram operadas como campos diferentes: Aquino sustentava somente que aquela, estava a serviço desta; em outras palavras, a primeira estava sendo submetida aos propósitos da segunda.

Tomás de Aquino estabelece nos fundamentos do corpo teórico tomista, elementos como a ideia do propositamento do homem em relação a felicidade, e no conceito substancial da alma humana, e por sua vez, na sua categorização imortal como a forma que nos dá a vida. Temas recorrentes que Tomás de Aquino trabalha, podem ser encontrados também nas questões sobre o quanto a razão humana pode nos dizer algo a respeito de Deusembora este seja enfático na ideia de que há verdades sobre isto que simplesmente ultrapassam a compreensão da razão humana(como por exemplo, a santíssima trindade), enquanto que há configurações categóricas que podem ser elucidadas por esta, como por exemplo, a de que Deus existe. Essa, por exemplo, é demonstrada através do famoso argumento das Cinco Vias, formado por uma encadeação de constatações que são empíricas. Estas são colocadas de forma rigorosa, de forma a configurar a existência de Deus. Elas são: Movimento, Causa e Efeito, Possibilidade e Necessidade, Graus de perfeição, e a Finalidade.

Aquino é também uma das maiores fontes inspiradoras acerca da interpretação das Escrituras Bíblicas e sobre temas controversos da teologia, como: acerca da natureza de Cristo, as revelações, e a vida após a morte. Em seu trabalho, percebe-se sempre a característica notável da utilização das categorias filosóficas e metafísicas que são encontradas no corpo teórico de Aristóteles, como por exemplo, a ideia do hilemorfismo aristotélico(concepção que diz que os seres são uma composição de ‘matéria’ e ‘forma’).

Aquino é muito importante para nosso projeto, na medida em este é um dos maiores filósofos da história, que esclarece (dentro de seus comentários e obras) conceitos, interpretações e outras categorias que são de um inestimável valor e compreensão acerca da realidade. Em especial denotação, consideramos ele também o maior aprimorador e comentador da obra teórica e dos elementos conceituais do corpo filosófico de Aristóteles, do qual nós também adotamos como uma das bases fundamentais de nosso arcabouço.  Sua importância enquanto teórico e como grande contribuinte em muitas das áreas dos quais o nosso programa se ocupa ou se interessa em propagar e compreender de forma substancial, não pode ser negada, tal como todo o esclarecimento conceitual que ele nos traz. Na medida em que isto é conclusivamente correto, Aquino conquista um lugar muito especial neste nosso ‘rol’ de inspirações e autores que fundamentam nossos princípios e corpo teórico.

Escritos recomendados:

Suma Teológica

-O Tratado da Lei

-Suma contra os Gentios

-O Ente e a Essência

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Ludwig Wittgenstein

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Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951) foi um filósofo nascido em Viena, na Áustria. É considerado um dos autores mais importantes desta área no século XX, e um dos patronos da filosofia analítica. Suas maiores contribuições estendem-se principalmente nos campos da filosofia da linguagem, filosofia da matemática e estudossobre a lógica.

Wittgenstein exerceu, no começo, enorme influência sob os neopositivistas do Círculo de Viena, e lançou as bases para a perspectiva de que os problemas filosóficos da era moderna, em larga escala, eram na verdade, problemas de linguagem, ou seja, no uso de conceitos que não eram consenso ou sequer eram usados de forma clara  entre os filósofos ao longo da história, e desta forma, desencadeavam problemáticas que aparentavam ser filosóficas.

Wittgenstein, no entanto, não foi homogêneo ou continuador em seu corpo teórico e obra. Há uma distinção, na história da filosofia, de que este autor teve duas fases diferentes, a primeira marcada por seu Tractatus Logico-Philosophicus, e a segunda marcada por seu Investigações Filosóficas.

No primeiro escrito, Wittgenstein tenta traçar um estudo categórico sobre por quais noções a linguagem age como uma forma de refletir figurativamente a realidade, tal como as implicações disto. Um dos pontos fundamentais de sua noção, é a chamada teoria pictórica da linguagem, que está fundada na crença de que qualquer enunciado com sentido (ou seja, ter condições de verdade ou falsidade) é sempre uma figuração da realidade (ou seja, um estado de coisas possíveis, sempre passível de verificação empírica), de modo semelhante à como uma grade(partitura, solfa etc) é a figuração de uma música. Dessa forma, há uma visão estática e monolítica sobre o papel que a linguagem tem ao figurar a realidade.

Já no segundo escrito, Wittgenstein quebra com esta noção, na medida em que este passa a negar que sequer existiria uma ‘correspondência figurativa’ da realidade para ser realizada pela linguagem. Desta maneira, a sua noção anterior de que cada palavra é uma figuração de um objeto, estaria errada.

O que existiria na verdade, segundo este autor em sua segunda fase, seriam ‘jogos de linguagem’, podendo ser entendido como um conjunto de critérios e regras públicas que são estabelecidos para o uso das palavras, representando as atividades práticas do cotidiano em cada uso diferente dentro de um contexto. Os jogos de linguagem são, desta forma, as estruturas que expressam o real em suas funções práticas, e que manifestam uma classe categórica que Wittgenstein denomina de ‘semelhança de família’. O filósofo nos dá o exemplo dos jogos: há diferentes tipos de jogos, como jogos de futebol, jogos de tabuleiro, jogo de cartas; mas nenhum destes jogos estabelecem qualquer referência a uma essência em si do que seria ‘jogo’, ou seja, um ponto, distintivamente e conceitualmente analítico do que isto seria. Há muitas diferenças e diversas semelhanças entre os vários tipos de jogo, em padrões diferentes, que por sua vez, apresentam novos traços distintos e semelhantes, que desta forma, impedem uma categorização analítica e estrita que os diferencie de outros elementos que não seriam ‘jogos’.

Coisa semelhante acontece em um grupo familiar, onde todos compartilham traços comuns, mas nunca algo perfeitamente comum ou igual a todos os tipos, que os distinguiria na forma de qualquer coisa que possa se chamar de ‘essência’. Desta forma, Wittgenstein quebra totalmente com seu paradigma anterior, constituindo assim novas implicações para sua filosofia, e influenciando fortemente o neopragmatismo que surgiria depois.

Wittgenstein exibe uma enorme importância para nós, na medida em que consegue condensar uma série de visões acerca da filosofia analítica, do papel da linguagem, trazendo diversas implicações epistemológicas aos nossos estudos. Desta forma, ele encontra-se como uma das bases fundamentais para as áreas de interesse de nosso projeto, como perspectiva intelectual a ser sempre considerada e aderida em vários aspectos diferentes.

Escritos recomendados:

-Tractatus Logico-Philosophicus

-Investigações filosóficas

Leia mais: aqui, aqui, aqui.

Carl Menger

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Carl Menger (1840-1921) foi um economista nascido em Nowy Sącz, durante o Império Austro-Húngaro. É reconhecidamente o fundador da chamada Escola Austríaca, e famoso pela participação principal(junto com os economistas Leon Walras e William Stanley Jevons) na Revolução Marginalista em meados de 1870.

Menger esclareceu que o valor de um recurso estava ligado ao encadeamento das preferências subjetivas dos agentes econômicos individuais, em relação a escassez dos recursos(cujo a inferência disto é a chamada ‘lei da utilidade marginal decrescente’: para cada unidade consumida a mais, esta acrescenta menos utilidade marginal). Desta forma, se estabelece uma teoria subjetiva do valor, em contraponto ao consenso da época (influência da antiga Economia Clássica), que afirmava que o valor de algo estava relacionado ao tempo de trabalho socialmente necessário para a sua produção. Essa contribuição provocou uma ruptura com a perspectiva econômica da época, e gerou o consenso moderno e ainda vigente que moldou radicalmente a forma como observamos os fenômenos econômicos nos dias de hoje.

Menger também proporcionou uma série de trabalhos importantes sobre metodologia social. Se envolveu em um debate contra a antiga Escola Historicista Alemãde Economia, acerca do método a ser estabelecido nas ciências sociais, defendendo que os fenômenos econômico-sociais devem ser estudados não através de agregados inteiros, mas sim pelo estudo minucioso do que os integra. Só poderíamos compreender o ‘todo’, se estudássemos primeiro as ‘partes’ que o compõe, o que implica que deveríamos adotar uma abordagem metodológica na direção da ideia de que os fenômenos sociais só poderiam ser entendidos através do estudo das ações(e seus padrões) dos agentes individuais.

Menger estabeleceu também, observando o critério anterior que dá ênfase no estudo do padrão da ação do agente individual, que deveríamos buscar (como forma metodológica para estudar os campos sociais) por elementos estáveis na forma de estruturas teóricas generalizantes ou regularidades econômicas(algo como ‘teorias puras’ da economia, com causalidade estável, na forma de ‘leis exatas’) que não estivessem a mercê das variáveis caóticas e relativas da dinâmica social, com seus diferentes atritos. Uma vez encontradas estas teorias econômicas ‘puras’, deveríamos interpretar o quadro empírico sob a lente destas, de forma a compreender de maneira clara a história e como os fenômenos econômicos atuam na realidade.

Uma de suas maiores conclusões, é a ideia de como há instituições sociais que se formam por meio de um processo de desenvolvimento impessoal. Há instituições e estruturas sociais, tais como o direito, a moeda, a linguagem, e o mercado, que surgem não através do desenvolvimento consciente e planejado, ou seja, premeditando-se aquele resultado; mas sim de um processo espontâneo, não-planejado, da interação dos múltiplos agentes, de forma que embora estas instituições e estruturas sociais sejam um resultado da ação dos indivíduos que as compõe, elas não são o resultado da intenção deliberada de algum deles. Este tema é recorrente na forma da ‘Mão Invisível do Mercado’ em Adam Smith, e seria também exemplificado analiticamente em diversas obras diferentes de Friedrich A. Hayek, aparecendo sob o nome de ‘Ordem Espontânea’.

Menger é uma parte muito importante e que em muito influencia nossa perspectiva, na medida em que ele incorpora, refina e desenvolve elementos(dentro de suas concepções acerca da visão institucional, sobre a metodologia social, ordem espontânea, e a mente humana)que estão em profunda sintonia com os nossos princípios(e em muitos aspectos, por exemplo, há até influência kantiana nele). O autor figura-se como central para nós, também, como o introdutor de todas as bases primordiais dos conceitos e perspectivas sobre o estudo econômico-social, que evoluiriam depois, na forma das contribuições e pesquisas de autores específicos da Escola Austríaca, do qual nos consideramos como adeptos e admiradores, como por exemplo, Hayek e Lachmann.

Escritos recomendados:

-Principios da Economia Política

-A Origem do Dinheiro

-Investigations Into the Method of the Social Sciences

Leia mais: aqui, aquiaqui, e aqui.

Friedrich A. Hayek

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Friedrich August Von Hayek (1889-1992) foi um economista nascido em Viena, na Áustria. É um dos membros mais conhecidos da Escola Austríaca, e foi um conceituado autor em áreas não só da economia, mas também da filosofia política, filosofia do direito, teoria da complexidade, filosofia da mente, psicologia, neurociência e epistemologia.

Hayek é reconhecidamente um dos maiores economistas de todo o século XX, tendo suas maiores contribuições marcadas na forma de seus trabalhos acerca de como o sistema de preços age como um mecanismo de coordenação do conhecimento dos planos individuais dos agentes envolvidos nos processos de mercado, e do seu estudo sobre os ciclos econômicos e a política monetária. Pela sua segunda contribuição, foi laureado com o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de A. Nobel em 1974.

Seu trabalho em psicologia e neurociência, por sua vez, ficou marcado por ter antecipado descobertas que só seriam estabelecidas muitas décadas depois. Hayek, em seu The Sensory Order de 1952, antecipou uma série de conceitos que só seriam estabelecidos décadas depois durante a chamada Revolução Connectionista; este também precipitou as posições e concepções que só apareceriam muitos anos após o seu trabalho, sobre como a mente age como um sistema complexo adaptativo emergente guiado não por processos computacionalistas, mas por redes neurais interconectadas.

O autor também teve como base fundante de toda a sua concepção teórica, a perspectiva evolucionária sobre como instituições sociais e sistemas complexos poderiam emergir de forma subjacente em um determinado ambiente, sem a necessidade de qualquer ação intencional ou premeditada que tente criar deliberadamente aquele resultado. Isto pode ser visto como a continuação e aprimoramento do trabalho de tanto Carl Menger quanto Adam Smith. A esta concepção de Hayek, denomina-se de ‘Ordem Espontânea’.

Hayek é importante para nós em muitos aspectos profundos, e diferentes entre si. Um dos principais motivos, diz respeito a sua influência como um dos maiores autores e defensores da tradição liberal. Outro motivo, diz respeito ao fato deste ser um autor que tem uma estrutura teórica que é sistemática, ou seja, interage internamente de forma concisa sob os diferentes aspectos do qual este trata, como foi exemplificado acima. Em outras palavras, Hayek não trata estas diferentes áreas do conhecimento, de maneira metodologicamente isolada: seu pensamento sobre os mais diversos campos se complementam e corroboram-se entre si, seja no campo do direito, da filosofia, teoria da mente ou da economia. Essas áreas são umas das que mais nos influenciam, e que mais atuam profundamente na nossa moldagem sobre as perspectivas que temos acerca da realidade (e da sua dinâmica) em que vivemos, tal como nas propostas que temos dentro de nosso programa político-social.

Escritos recomendados:

-Direito, Legislação e Liberdade

-The Sensory Order

-O Caminho da Servidão

-Individualism and Economic Order 

-Os Fundamentos da Liberdade

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Adam Smith

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Adam Smith (1723-1790) foi um filósofo e economista nascido em Kirkcaldy, na Escócia. Smith é considerado um dos grandes patronos do liberalismo clássico, e um dos principais pilares da Economia Clássica. Sua obra é marcada como a principal influência, direta ou indiretamente, de quase todos os autores alinhados com o liberalismo na história, tanto na área da economia quanto da filosofia política.

Um dos temas mais recorrentes e famosos em suas obras, foi o que pode ser chamado de ‘A Mão Invisível do Mercado’. Nesta analogia, Smith entra para a história e antecipa as perspectivas analíticas de Carl Menger e Friedrich A. Hayek, sobre como, através de um processo espontâneo, descentralizado e impessoal no mercado, o bem-estar social da coletividade pode surgir em um ambiente onde os agentes buscam nada mais que o seu auto-interesse. Ao perseguir seus próprios objetivos individuais, cada agente estaria indiretamente contribuindo mais para a coletividade do que se tivesse intencionalmente tentado fazer isto.

Em sua maior obra, A Riqueza das Nações, Smith demonstra a importância da divisão do trabalho e da acumulação de capital, para o aumento da produtividade e a evolução da economia, resultando na melhora da vida de todos. Foi considerado uma das obras mais importantes da época, tendo em uma de suas consequências, um impacto grande sob as políticas dos governos na época em relação a economia.

No seu Teoria dos Sentimentos Morais, Smith traça e elabora uma teoria sócio-política sobre a concepção dos juízos morais. Dentro de uma perspectiva humanista e sentimentalista, Smith busca fundamentar a simpatia (ou empatia) como um dos aspectos primordiais, aparecendo sob certas condições, da natureza humana, e elemento necessário para a cooperação e convívio social, tal como quais implicações isso tem em diferentes esferas e campos de estudos.

Smith representa uma grande importância para nós, por ser um dos pais da vertente liberal clássica, da qual buscamos seguir como um dos nossos legados. Muitos aspectos gerais de suas perspectivas sobre a economia, os indivíduos, e sua filosofia política, encontram corroboração em nosso programa específico como difusor de ideias relativas a aspectos da ordem, liberdade e da paz, além deste ter antecipado conceitos que seriam a pedra angular da abordagem de diferentes autores dos quais usamos para fundamentar nossas mais diferentes visões. Neste sentido, Smith encontra um lugar muito especial em nosso projeto.

Escritos recomendados:

-A Riqueza das Nações: Vol. I, II, III 

-Teoria dos Sentimentos Morais

-Lectures on Jurisprudence

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Ludwig Lachmann

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Ludwig Lachmann (1906-1990) foi um economista alemão que era membro da Escola Austríaca, e colega pessoal de Friedrich A. Hayek.

Lachmann é considerado um dos principais perpetradores das bases ou fundamentos que foram criados pela chamada ‘ala hayekiana’ na Escola Austríaca. Em especial apreço, ele determinava que este era apenas um retorno às perspectivas originais de Carl Menger. Lachmann, em razão ao segundo, também recupera a teoria de capital austríaca, lhe dando uma nova abordagem, e enfatizando fortemente seus aspectos diferenciadores dos das teorias de capital dos corpos teórico-econômicos modernos, como por exemplo, o aspecto da heterogeneidade.

Sua abordagem é considerada extremamente radical, mesmo para alguns austríacos, por conter um pano de fundo teórico que influi na forma de um subjetivismo e análise de fenômenos dinâmicos e caóticos muito forte. Isso marcou sua carreira na medida em que isto se desenvolveu como uma linha de ataque direta contra a metodologia estática da Economia Neoclássica (e sua defesa ao uso do Equilíbrio Geral), que Lachmann contrapunha com uma metodologia ‘genético-casual’(ou seja, como os fenômenos econômicos subjacentes se originam ao longo do tempo por causa de processos específicos que levam em conta as transformações dos planos subjetivos e individuais dos agentes de conhecimento limitado em ambientes de incerteza ou ignorância mútua).

Lachmann é importante para o nosso projeto na medida em que ele fundamenta uma boa parte da nossa análise de estudo da economia e do mercado, na forma de um processo de interação e descoberta dinâmico, e na medida em que ele é um dos perpetradores da abordagem e dos trabalhos que iniciaram com Hayek e Menger. Por conta disso, este autor muito nos influencia no modo de enxergar fenômenos econômicos, e sociais de uma forma geral.

Livros recomendados:

-Capital, Expectations and The Market Process

-Capital and Its Structure

-The Legacy of Max Weber

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Max Weber

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Karl Emil Maximilian Weber (1864-1920) foi um proeminente cientista político, sociólogo e economista alemão que nasceu em Efurt. É considerado um dos pais da sociologia.

Weber viveu o contexto das transformações sociais da Revolução Industrial, e enfatizou bastante, em seus estudos, os aspectos históricos dessas mudanças, e em que medida isso era algo que afetava de forma relevante o arranjo institucional do capitalismo. No entanto, diferentemente da análise materialista-histórica marxista, ou do funcionalismo de Durkheim, Weber se concentrava mais em uma análise individualista-metodológica, centrada principalmente na ideia da ação do agente individual como o elemento principal para se entender os papéis transformadores da realidade social, do qual este nomeia o conceito de ‘ação social’(ou seja, onde o sujeito proposita a sua ação, dotada do estabelecimento de uma significação comunitária, ou seja, social; o que é, neste aspecto, algo ligado intimamente a ideia da comunicação).

Nesse sentido, cabia ao estudo sociológico rigorosamente entender o que move ou proposita as ações individuais, na medida em que elas tem a primazia na construção da estrutura social. Por meio deste estudo, Weber chega a quatro tipos ‘ideais’ de ação: a ação racional com relação ao fim(que tem o aspecto teleológico, com a seleção dos meios mais adequados para se atingir a finalidade), a ação racional com relação aos valores(não é mais o fim que guia a ação, mas sim a preservação de um valor), a ação social afetiva(ligada a sentimentos e paixões), e a ação social tradicional(que é relacionada com regras implícitas e costumes tradicionais que são exercidos subjacentemente no indivíduo).

Ele também adentrou-se fortemente em estudos inter-relacionados, entre os campos da ciência política e a da área sociológica, sobre conceitos como o Estado, a burocracia e a religião. Weber sustenta principalmente a tese do papel da religião, em especial a protestante, como um dos fatores do desenvolvimento do Ocidente em comparação aos países não-ocidentais, e quais características mais sistemáticas delimitaram este fator a operar de forma eficiente neste quesito, e principalmente sobre como isto se relacionava com o desenvolvimento do sistema capitalista, tal como a relação deste com o conceito da burocracia.

O autor também considerava que a burocracia era um resultado natural do processo do desenvolvimento no capitalismo, dado a complexidade das instituições e das demandas em uma moderna divisão do trabalho. Este aumento constante no grau da complexidade e tamanho das instituições, necessitava assim de uma organização eficiente que conseguisse racionalizar o processo e garantir o desempenho e controle determinantemente adequado para a manutenção da produtividade e do ciclo acumulativo que seriam típicos da sociedade capitalista.

Weber exibe uma grande importância para nós, na medida em que estamos falando de um dos fundadores da sociologia, e que exibe um método que é condizente totalmente com nossa perspectiva acerca da estruturação social: uma visão de modelação e transformação a partir do indivíduo, como o centro dos processos de ordenação da realidade(algo que é de inspiração metodológica da filosofia kantiana), sendo esta a perspectiva da qual o nosso projeto e visão de mundo se funda. Este é também de grande valia com seus estudos completos acerca do papel das instituições políticas nos arranjos sociais do mundo moderno, e quais são as inferências que podem ser tiradas disto, tal como em que medida elas influenciam a interação interindividual dos agentes na sua prática durante a vida em sociedade.

Escritos recomendados:

-A Ética Protestante e o Espirito do Capitalismo

-A Política como Vocação

-Metodologia das Ciências Sociais

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Robert Nozick

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Robert Nozick (1938-2002) foi um filósofo nascido em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Nozick foi um defensor proeminente da teoria do libertarianismo, e seus trabalhos se concentram principalmente sobre a filosofia política, epistemologia, filosofia da mente e ética.

Ele também lançou uma vanguarda teórica em defesa da concepção de um Estado Mínimo – isto é, um arranjo institucional na forma de um poder estatal, que usaria sua logística e aparato apenas para um escopo limitado de funções, tais como a segurança e a justiça. Isto, por sua vez, estaria eticamente justificado sob o escopo conceitual de uma análise acerca das formas mais adequadas de manutenção de direitos individuais, como por exemplo, o da proteção e segurança da auto-propriedade de cada indivíduo. Estes direitos, por sua vez, seriam tomados rigorosamente de forma a serem considerados deontologicamente absolutos.

Por conta disto, foi crítico feroz tanto das concepções igualitaristas, representadas principalmente pela Teoria da Justiça de seu rival John Rawls, quanto das concepções políticas ou ético-jurídicas que iam para além da ideia de um Estado Mínimo, representadas pela teoria austrolibertária do anarco-capitalismo, figurada principalmente por Murray Newton Rothbard.

O autor também proporcionou uma série de trabalhos acerca de ideias no campo da filosofia da mente, muitos destes alinhados sobre as perspectivas acerca do livre-arbítrio, identidade individual, justificação do conhecimento, teoria da verdade, e o significado da vida. Outras contribuições notáveis são encontradas na área da filosofia analítica, metafísica e da epistemologia contemporânea.

Nozick tem importância para o nosso programa político-social, na medida em que ele consegue condensar e fundamentar o escopo na ideia da perspectiva nos direitos individuais, tal como as relações e arranjos institucionais que podem interagir e emergir destes, dentro de um contexto de estudo sobre a ética e a filosofia política. Nozick também nos influencia em importantes noções sobre sua teoria do conhecimento e seus pensamentos acerca da filosofia da mente, tal como suas análises epistemológicas e metafísicas acerca das leis dinâmicas da realidade ao nosso redor.

Livros recomendados:

-Anarquia, Estado e Utopia

-Invariances

-Socratic Puzzles

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James McGill Buchanan

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James McGill Buchanan Jr. (1919-2013) foi um economista e jurista americano, ganhador do Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1986, nascido em Murfreesboro, no estado americano do Tennessee. Buchanan é, juntamente com seu amigo e colega Gordon Tullock, um dos pais da Escola de Virginia, ou Escola da Escolha Pública, uma das vertentes mais importantes dentro do estudo econômico das instituições e do pensamento institucional liberal.

Durante o seu curso de pós-graduação em economia na Universidade de Chicago, Buchanan se auto-definia como um ‘socialista libertário’. Entretanto, após seis semanas tendo aulas com o lendário economista Frank Knight, foi convertido em um dos mais ferozes defensores do livre-mercado.

Além de Knight, outra influência que mudou radicalmente o seu pensamento, foi o economista sueco Knut Wicksell. Em um artigo de 1896, Wicksell argumentava que os impostos utilizados para pagar programas sociais teriam de ser retirados daqueles que se beneficiam desses programas. Tal ideia contrariava a visão predominante nos estudos da economia, segundo a qual não existia relação entre o que o contribuinte pagava e o que ele recebia em benefícios. Buchanan achou isto interessante, e acabou traduzindo o artigo do alemão para o inglês.

O produto dessa investigação das ideias de Knight e Wicksell, juntamente com estudos de F.A Hayek e Kenneth Arrow, foi o livro The Calculus of Consent, escrito junto com seu amigo Gordon Tullock. Nele, os autores mostraram que o requisito da unanimidade democrática em um sistema econômico não fazia sentido. Na teoria política clássica, o ‘interesse público’ é tratado como a escolha correta por maioria, independente das divergências entre eleitores. Buchanan e Tullock, entretanto, mostraram que tal teoria ignora o fato de que a maioria das escolhas atraem ‘consumidores legais’ com diferentes pontos de vista. Um processo decisório pode mobilizar muitas pessoas para votar, como uma eleição geral, mas outros só atrairão grupos com fortes posições acerca do assunto, e cujo tema não interessa a maioria, que não será vista como ‘maioria dos votos’, por ter abdicado do processo decisório. Para eles, o sistema político seria apenas uma recriação do sistema econômico, onde políticos e grupos de interesse competem e compram votos para atender a seus próprios interesses. Isso, segundo eles, acabaria criando uma demanda de interesses, vulgarmente chamada de “rent-seeking”, que deveria ser combatida utilizando-se de uma regra de limitação, e de “unanimidade viável”.

Outra contribuição interessante de Buchanan foi a distinção entre os dois tipos de escolha pública. Esses dois tipos seriam o Nível Constitucional e o Nível Pós-constitucional. O primeiro se trata acerca das definições de como o sistema político deve funcionar, ou ‘as regras do jogo’, e o segundo trata acerca de como os atores políticos jogam conforme essas regras. Buchanan acreditava que os economistas deveriam se importar mais com o primeiro do que o segundo, pois a definição do ordenamento é o que realmente define como os incentivos irão reagir com os atores dentro do sistema.

Buchanan não é apenas um importante economista institucional, mas também um importante pensador liberal do institucionalismo, uma vez que que suas análises tratam justamente de um tema central no pensamento liberal: os limites da ação do Estado e o Estado de Direito. Seu pensamento foca justamente no estudo do Estado para sua devida limitação; promovendo assim a liberdade; delimitação legal para conter o poder; garantindo assim aordem; e, como consequência disso, garantir o domínio dapaz. Na medida em que realiza isto, Buchanan figura-se como uma das grandes influências de nosso projeto.

Escritos recomendados:

-The Calculus of Consent

-The Limits of Liberty

-Cost and Choice

-Democracy in Deficit

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Jürgen Habermas

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Jürgen Habermas (1929-) é um sociólogo alemão, e filósofo, que nasceu em Düsseldorf. Habermas pertence à segunda geração da Escola de Frankfurt, e em certa medida, representa uma departição da abordagem tradicional desta. Tem suas maiores contribuições em campos variados que vão desde a filosofia do direito, filosofia política, filosofia da linguagem, ciência política, até as ciências da comunicação.

Em especial, seu trabalho primordial encontra-se na perspectiva da sua Teoria do Agir Comunicativo, que é uma abordagem epistêmica sobre a realidade humana e o foco na interação através do poder transformador da comunicação. Habermas contrapõem-se fortemente, portanto, a teoria da razão instrumental, que era o consenso da época, na Escola de Frankfurt. Através desta noção, Habermas visa criar uma fundação para um ideal liberatório e emancipatório da racionalidade condensada na comunicação, e como isto pode ser compreendido sob a ótica de uma composição que visa o entendimento mútuo.

Habermas também tem importantes contribuições no que diz respeito à ideia da democracia e da esfera pública, e sob quais aspectos institucionais conseguiriam possibilitar, a luz da sua teoria comunicativa, o potencial estabelecido de forma a criar uma deliberação interativa e a integração das diferentes partes no engajamento sócio-político objetivando um consenso.

Sua teoria contém também uma série de implicações no campo da ética, no qual figura-se os seus debates com seu colega, o também filósofo alemão, Karl-Otto Apel. Uma das implicações éticas da teoria de Habermas, é a ideia de uma ética deontológica e universalista, fundada na faculdade da comunicação e da participação em decisões coletivas.

O autor destaca a existência de pretensões implícitas, com certas inferências e implicações, em atos que envolvem ou objetivam a ideia do mútuo entendimento entre as partes engajadas durante a argumentação. São elas: a pretensão da inteligibilidade(as partes devem ser entendíveis), a da verdade(o componente deve ser verdadeiro), a da sinceridade(o comunicante deve expressar-se de forma sincera), e a da correção normativa(deve-se seguir um padrão corretivo baseado em algum corpo normativo ou axiológico já presumido e existente naquele contexto).

Habermas é importante para nós, em grande medida, enquanto sua teoria contém implicações jurídicas, epistemológicas, éticas, e na filosofia pragmática, que ajuda-nos a fundamentar nosso projeto como um corpo teórico alicerçado sob aspectos sólidos acerca da existência e estruturação comunitária. Suas perspectivas sobre os arranjos institucionais a serem moldados na interação da vida em sociedade, de forma a criar uma melhor integração, proteção e entendimento, também são aspectos fundantes que podem ser encontrados em nossos princípios e ideais.

Escritos recomendados:

-Teoria da Ação Comunicativa

-Entre Fatos e Normas

-O Discurso Filosófico da Modernidade

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Wilfrid Sellars

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Wilfrid Stalker Sellars (1912-1989) foi um um filósofo americano fortemente ligado à Escola de Pittsburgh. Teve inspiração fortemente kantiana, e fez uma série de trabalhos na área da epistemologia, tendo-se consagrado na segunda metade do século XX como um dos maiores contribuintes para os avanços da filosofia analítica.

Sellars, junto dos filósofos Willard Von Quine e Ludwig Wittgenstein, completa a crítica fulcral e o cerco ao Positivismo Lógico, e desta forma, contribui para o fim da voga dos neopositivistas e de todo o Círculo de Viena.

Em especial, figura-se a sua poderosa crítica ao que ficou conhecido como o ‘Mito do Dado’: a falsa ideia de que dados não-epistêmicos, ou então que existem de forma independente e adquiridos de forma não-inferencial, podem ser usados para justificar o nosso conhecimento.

Na história da filosofia existiram muitos autores, do qual podemos rastrear até René Descartes, que se utilizavam de uma perspectiva chamada ‘fundacionalismo’; e ao se verem cercados por problemas em suas concepções, começaram a argumentar que existiriam estados, sensações, princípios, intuições intelectivas, e outras coisas em diferentes formas, que poderiam supostamente ser usados para estabelecer e fundar um determinado corpo de conhecimento.

De forma semelhante à Kant, na época do impasse entre o racionalismo continental e o empirismo britânico, Sellars demonstra que ambos os extremos estavam suscetíveis a cair no erro do Mito do Dado: de um lado, os empiristas clássicos e os fundacionalistas empiristas moderados, que estavam errados ao argumentar que haviam impressões, dados dos sentidos e estados mentais que poderiam justificar o nosso conhecimento, na medida em que estes esquecem que algo que é não-normativo não tem o status epistêmico necessário para justificar o conhecimento, que é sempre necessariamente normativo. Do outro lado, também estavam errados os racionalistas clássicos e os fundacionalistas racionalistas moderados, ao afirmarem que poderia-se usar de supostos ‘axiomas racionais’ ou ‘intuições intelectivas’ para justificar o nosso conhecimento, na medida em que estes argumentavam pela possibilidade de haver crenças que são não-inferenciais, e desta forma, esquecerem completamente que não existe tal coisa como um conhecimento que tenha sido estabelecido não-inferencialmente, através da cognição humana.

Sellars é de fulcral importância para nossa perspectiva epistemológica e filosófica, na medida em que este foi um dos maiores proeminentes da filosofia analítica, e ecoa influências em diferentes autores desta área. Sua epistemologia, de base kantiana, é considerada por nós como um dos maiores desenvolvimentos desta estrutura teórica específica, e portanto, nos influencia muito na medida em que suas críticas, ideias e perspectivas são usadas para embasar o que sabemos acerca do mundo, e quais impactos podemos tirar disso em discussões concernentes sobre o que é, e como se justifica o nosso conhecimento sobre este e toda a realidade ao nosso redor.

Escritos Recomendados:

-Empirismo e Filosofia da Mente

-Philosophy and the Scientific Image of Man

-Science, Perception and Reality

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Robert Brandom

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Robert Brandom (1950-) é um filósofo americano ligado à Escola de Pittsburgh. Seu trabalho toca profundamente nos campos da filosofia da linguagem, filosofia analítica, pragmatismo, epistemologia e a lógica filosófica. Ele é inspirado pelo trabalho de Wilfrid Sellars, Ludwig Wittgenstein, Richard Rorty, e principalmente, Kant e Hegel.

Brandom propõe a abordagem do inferencialismo. O inferencialismo diz respeito a perspectiva do entendimento de conteúdos proposicionais como inferências (e não referências), que dão razões para comprometimentos e obrigações no espaço social. Uma inferência é chegar a conclusões a partir de premissas (verdadeiras). Esta abordagem sustenta, portanto, que o significado de algo só pode ser compreendido sob o aspecto sistemático das suas relações (ou seja, inferências) com as outras coisas.

Esta noção nasceu de forma substancial no trabalho da segunda fase de Ludwig Wittgenstein, e a sua noção de ‘jogos de linguagem’ e ‘semelhanças de família’. Com isto, Brandom visa superar e não cair em todos os problemas da análise analítico-linguistica, encontrados na abordagem em termos de ‘referências’, que foram demonstrados nos acalorados debates filosóficos sobre as diferentes perspectivas acerca da configuração do que seria a ‘significação’, no século passado.

O autor destaca principalmente que seu inferencialismo se substancia e se compõe em pontos diferentes, das quais podemos destacar algumas características: a configuração de um conceito acontece em termos de seu uso(em outras palavras, o conteúdo semântico se associa e se configura na forma da pragmática, ou seja, um tipo de ação, algo entendido na forma coletiva do ato comunicativo, ou seja, de ‘oferecer e pedir razões’ no sentido social); uma forma diferente de expressivismo(ou seja, uma abordagem que dá primazia, no campo da funcionalidade da conceituação, ao aspecto de como se expressar, uma vez que deve-se tornar claro e expressável na fala, ou no campo da linguística, toda a gama de componentes e elementos que estão apenas implícitos e tácitos na parte pragmática); um afastamento do nominalismo(dando prioridade para o uso, ou seja, o pragmatismo, e como este se relaciona na forma de propriedades inferenciais no cerne do conteúdo proposicional de algo), e uma abordagem holista-local de influência sellarsiana(isto significa que ele defende uma abordagem ‘agregada’, ou ‘inteira’, dentro de um certo plano ou campo bem delimitado, já que a propriedade inferencial de um conceito só pode ser entendido completamente sob a luz das relações inferenciais e articuladas com outros conceitos; em outras palavras, ninguém pode adquirir conceitos de forma ‘atomística’ ou ‘individual’, mas sim em ‘pilhas’, por exemplo: conceitos como ‘amarelo’ possuem algum sentido apenas quando são articuladamente inter-conectados inferencialmente por vários outros conceitos, como  ‘cores’).

Brandom significa, neste sentido, uma grande parte e valor para o arcabouço teórico dentro de nosso projeto. Tal como Sellars, McDowell e outros, Brandom configura-se dentro de suas análises, como uma contribuição enorme no esclarecimento de corpos teóricos diferentes, dando grande avanço a compreensão das questões que nos são deixadas pela filosofia da linguagem, filosofia analítica, entre outros campos que urgem o inquérito humano acerca da compreensão do esquema conceitual que rege a realidade ao seu redor, e quanto a sua própria natureza. Neste sentido, Brandom conquista uma qualificação especial que o torna, dignamente e merecidamente, parte da lista de autores que direcionamos nossa grande admiração, na medida em que somos declaradamente e profundamente interessados na clareza das matérias e items neste processo de investigação das questões citadas acima.

Escritos recomendados:

-Making it explicit

-Articulating Reasons

-Perspectives on Pragmatism

-Reason in Philosophy

-Between Saying and Doing

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John McDowell

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John McDowell (1942-) é um filósofo sul-africano ligado principalmente, hoje em dia, à Escola de Pittsburgh. Seus trabalhos entram em diferentes campos, figurando-se principalmente nos da filosofia da linguagem, filosofia da mente, meta-ética, metafisica e epistemologia. Suas teses são muito influenciadas por autores como Wilfrid Sellars, Peter Strawson, Richard Rorty, Ludwig Wittgenstein, e seu atual colega, Robert Brandom. Porém, suas perspectivas e inclinações, tal como observações em seus trabalhos, tem principalmente a influência dos filósofos alemães Kant e Hegel.

Pelo seu trabalho acerca da natureza humana e a filosofia, que iniciou em seu Mind and World (que por sinal, já foi traduzido para o português), McDowell foi condecorado com um prêmio especial: a Fundação Andrew W. Mellon lhe concedeu o Distinguished Achievement Award em 2010, do qual figura-se principalmente a honraria da quantia nada modesta de U$ 1,5 milhões. O prêmio lhe foi dado pela capacidade e contribuição que seu trabalho concedeu aos estudos relacionados a estrutura conceitual da existência e a mente, e por ajudar no avanço filosófico acerca dos questionamentos do ser humano em relação a realidade e o mundo.

Seu trabalho, em suas próprias palavras, pode ser descrito como uma síntese e combinação entre a ideia de que a percepção é o resultado da razão humana, e a ideia de que os humanos possuem capacidades naturais para a experiência perceptual. Costuma-se pensar, em alguma forma reducionista, que o contexto do mundo natural e de como ele funciona, poderia ser considerado apenas através das ciências naturais, mas isso nada diria (e em fato, torna-se impossível a partir deste ponto) sobre os processos epistemológicos humanos, e como estes adquirem conhecimento acerca do meio em que vivem, e durante a sua interação com este mundo natural – e em que medida, isto afeta nossas ideias acerca do que é a percepção e a ação, em relação a experiência, a auto-determinação, e a liberdade.  O trabalho de McDowell visa jogar uma luz sobre isto.

Seu corpo teórico sustenta-se numa perspectiva externalista: a nossa percepção seria configurada como passiva, no sentido de que a identidade dos objetos reside fora da mente, ao passo que a conceituação destes e de suas propriedades é feito de forma ativa em nossa mente. Desta forma, McDowell rejeita tanto o internalismo(que afirma que os dois processos ocorrem na forma de categorias mentais essenciais, inerentes e particulares do agente), e o reducionismo naturalista, que McDowell denomina de ‘bald naturalism’(que tenta reduzir o papel da mente humana a um naturalismo fisicalista, ou seja, de que é possível reduzir o funcionamento da mente e a interação desta a uma perspectiva em termos puramente científicos), que pode ser encontrada como algo que veio a se configurar mais apropriadamente na influência do trabalho do filósofo Willard Von Quine.

Em especial, McDowell dirige a sua crítica dentro de uma leitura influenciada por Wilfrid Sellars e a sua crítica ao ‘mito do dado’, em especial, na versão da crítica aos empiristas clássicos e os fundacionalistas empiristas moderados, e a ideia destes de que dados não-epistêmicos da realidade (sensações, estados mentais e etc) poderiam ser usados para justificar e fundar um corpo teórico de conhecimento.

McDowell exibe um enorme valor para nós, como um epistemólogo e filosofo que desenvolve todas as ideias incipientes em nomes que também constam como personalidades que nós aderimos, como Sellars, Kant, Wittgenstein, entre outros. Sua concepção damente humana e da justificação do conhecimento é contemplada por nós, com toda a genialidade e prestigio que esta merece, e como sendo uma das concepções mais fortes acerca do mundo natural e da estrutura conceitual humana. Por conta disto, nosso arcabouço teórico conta com as teses de McDowell em muitos aspectos, influências e perspectivas diferentes, sendo de grande valia para nosso projeto e o objetivo de influir em uma melhor compreensão filosófica da realidade ao nosso redor, tal como dos estudos acerca da natureza do conhecimento.

Escritos recomendados:

-Mind and World

-Meaning, Knowledge and Reality

-Mind, Value, and Reality

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Karl-Otto Apel

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Karl Otto-Apel (1922-2017) foi um filosofo alemão nascido em Düsseldorf. É considerado um dos filósofos mais influentes na filosofia pragmática, junto de Jürgen Habermas. Seu trabalho é marcado por componentes teóricos e influências diferentes: desde a filosofia de Martin Heidegger, a epistemologia kantiana, a filosofia analítica, o pragmatismo, a filosofia e epistemologia da segunda fase de Wittgenstein(em especial, a sua noção de ‘jogos de linguagem’), a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, e a filosofia da linguagem de John L. Austin e J.R Searle.

Seguindo a concepção da ética do discurso(e consequentemente, a ideia de que há princípios normativos implícitos no ato argumentativo), Apel chega à conclusão de que existem, na comunicação, condições formais que agem como regras pragmático-transcendentais para a mesma, e que não poderiam ser negadas sob o risco de cometer uma contradição performativa: este tipo de contradição acontece entre o conteúdo de um ato de fala e a ação do indivíduo que o profere. Por ex: “eu estou morto”, para alguém proferir tal frase, ele precisa estar vivo. O conteúdo proposicional da afirmação, neste caso, entrou em contradição com a pressuposição teórica que o agente quis argumentar.

Embora seja quem tenha popularizado este conceito, Apel não foi o criador deste. Segundo o filósofo finlandês Jaakko Hintikka, por exemplo, o conceito já poderia ser encontrado até mesmo antes, em Descartes, quando este afirmava ‘penso, logo, existo’, sustentando-se então que isto seria um tipo de asserção que seria estabelecida performativamente, e não por uma inferência lógica.

Desta forma, Apel afirma que qualquer pessoa que engaje em um ato comunicativo, aceita regras que tem valor a priori, ou seja, regras pragmático-transcendentais, como citado anteriormente. Apel enumera que estas regras seriam: o reconhecimento de que existe algo que seja verdade; e que existem conteúdos proposicionais que podem ser, portanto, tomados como verdadeiros; e que desta forma, ao menos de maneira implícita ou inter-subjetiva, pode-se haver alguma concordância destas; a existência de um certo modo argumentativo que essa concordância irá se dar; e, princípios implícitos que possibilitam isto, ou seja, de que existem regras que funcionam como condição da possibilidade de discussão (ex: o reconhecimento do outro como igual argumentante).

O autor sustenta que todo oindivíduo que engaja numa atividade comunicativa, pressupõe a priori que existe um ‘modo ideal de comunicação’ que deve ser voltada para o entendimento. Isto acontece pois se a pessoa apenas mentisse o tempo todo, por exemplo, não haveria comunicação. Na medida em que isto é verdade, o próprio fato da mentira poder existir, pressupõe que a linguagem e o ato comunicativo estão inclinados para o mútuo entendimento, e não para a mentira.

Este ‘modo ideal de comunicação’ que cada um estruturalmente antecipa, Apel nomeia de ‘comunidade ideal de comunicação’. No entanto, na medida em que a atividade comunicativa se afasta deste ideal na prática, Apel a chama de ‘comunidade real da comunicação’ – esta é o modo na prática, o ‘real’, a condição histórica e determinada, e nela existem os chamados desvios da ‘comunidade ideal da comunicação’, que Apel nomeia de ‘atos estratégicos’; estes o são quando a linguagem se desvia de seu modo ideal como ferramenta do entendimento mútuo(por exemplo, em caso de mentiras).

Da ideia de que há uma antecipação das estruturas de uma ‘comunidade ideal da comunicação’, se segue uma série de inferências éticas: como por exemplo, da necessidade do consenso durante atos constitutivamente comunicativos, da proteção a ‘comunidade real da comunicação’, e da necessidade de se aproximar da forma ideal.

Apel exibe grande importância para nós, na mesma medida que seu antigo colega, Jürgen Habermas, também nos apresenta. São duas personalidades que, constantes as controvérsias que tinham um com o outro em várias discussões diferentes, seguiam em generalidade a mesma perspectiva sobre a comunicação, e amesma finalidade de empregar esta como uma forma de integrar e transformar a estrutura da realidade social em um mundo melhor, mais seguro e mais democrático, abrindo nossas perspectivas para uma abordagem filosófica inovadora que molda nossa forma de enxergar a vida na coletividade e como isto pode se refletir de diferentes formas em nossas instituições, e da maneira como enxergamos o conhecimento, a vida e a sociedade.

Escritos recomendados:

-From A Transcendental-Semiotic Point of View

-Towards a Transformation of Philosophy

-Understanding and Explanation: A Transcendental-Pragmatic Perspective

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7 comentários em “O Manifesto do Neoiluminismo: Quem Somos Nós?

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  1. Arcabouço teórico impecável; tem até austríacos e alemães juntos. Só senti falta de Edmund Burke, David Hume, Adam Ferguson.
    Antes eu tinha um grande preconceito contra os trabalhos dos “neomarxistas”, por eu ser um austroliberal ex-libertário. Mas agora vi que há elementos positivos das suas obras que podem ser úteis. Continuem com este trabalho, pelo amor do Eterno!^^

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Vítor!

      Agradecemos os elogios, mas gostaríamos de avisar que se ao falar dos neomarxistas, está fazendo referência ao Rian (da nossa equipe), ele não é mais um neomarxista já faz um bom tempo. Hoje está no mesmo alinhamento político-econômico descrito por nós nesse post, e que eu presumo ser o mesmo que o seu.

      Quanto aos nomes citados, todos eles também nos influenciam, na medida em que são ligados ao liberalismo clássico (a vertente britânica, em especial).

      Obrigado mais uma vez!

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  2. Tenho que dar os parabéns a iniciativa e ao blog. Mesmo não tendo a mesma visão ideológica (sou libertário e anarcocapitalista), reconheço a qualidade do esforço e do material apresentado.
    Uma iniciativa como essa, em prol das ideias de liberdade, tem sempre que ser reconhecida e incentivada.

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